Mostrando postagens com marcador Meus pitacos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Meus pitacos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Coisas que todo homem deveria saber


Mulheres não precisam ser entendidas. Elas só precisam ser ouvidas. Os homens não precisam ser bons em conselhos e nem em animar alguém. Apenas precisam ouvir. Só isso. Simples assim. A gente fica bem depois que fala. Mas aguenta, porque gostamos de falar. Sobretudo, quando estamos nos sentindo péssimas. E às vezes nos sentimos assim. É normal. Passa. Ah, abraços também resolvem. Quando alguém está mal, fica carente. Levá-la ao bar para tomar cerveja, deixá-la falar e mostrar-se interessado é uma alternativa – e das boas. E se a noite terminar com um bom sexo, melhor ainda. Pronto. É isso.

Os homens não precisam entender a parte técnica. Apenas saber como acontece. Até Charlie Sheen, por menos compreensível e romântico que seja, diz em um episódio de Two and Half Men que o segredo é dizer ‘I understand’ depois que a mulher termina de falar. Essa é a essência. A gente se sente bem quando é ouvida. Na maioria das vezes, só queremos desabafar. Não diga que estamos chatas e que só quer nos ver quando esse momento passar. Porque, sim, há homens que dizem isso. Ninguém é feliz o tempo inteiro. E, ok, nos esforçamos para ficar sempre bem. Só que às vezes a sanidade foge ao alcance. Todos têm direito de um momento assim. E se gostamos da pessoa, não nos custa ter um pouco de paciência, né?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Nada sei

Tem gente que não sabe ficar sozinho. Conhece e já começa a namorar. Tem gente que foge de namoro. Gosta de ser livre. Tem gente que não gosta de repetir parceiro. Não quer se envolver, nem se apegar. Medo de se apaixonar. Tem gente que a gente acha que ama, que amou. Tem gente que acha que sabe o que é amor.

Taí. Eu não sei o que é amor. Tenho uma vaga ideia do que seja. Mas não sei se sei. Penso que trata-se de algo que a gente não consegue escolher se sente ou não. Apenas sente. E que vai além de trocas, de reciprocidade. Sobrevive por gerações. Mas outro dia um amigo me disse que o amor é como uma planta, que nasce, cresce e, se não é regada, pode morrer. Não sei. Não sei se concordo.

Tem gente que diz que ama, mas vive brigando com o outro. Isso é amor? Tem gente que diz que ama, mas quer prender, não deixa a outra pessoa livre. Isso é amor? Tem gente que ama, mas não tem coragem de falar, guarda para si próprio por medo de sofrer. Isso é amar?

Outro dia ouvi que o amor mais forte é aquele impossível. Ele nunca acaba, porque nunca começa. Parece o sentimento mais puro do mundo para quem o sente, mas é ilusório. Ele é o que a gente sonha. E a gente sonha muito. Sonha errado. E se engana.

Mas será que o amor não pode ter várias definições? Não pode estar presente de várias formas? Costumo citar a frase de Nelson Rodrigues: ‘Todo amor é eterno. Se não é eterno, não era amor’. Mas não pode ser eterno enquanto dura? Não sei. ‘Só sei que nada sei’.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Entre sorrisos e lágrimas

Aquelas letras de forma em vermelho despertavam minha atenção desde que entrei na sala. Mas naquele momento não era a cor ou a peculiaridade de sua localização – dentro da própria sala de cinema - que me chamava. Era o conteúdo – FEMININO – e seu significado – banheiro. Segui meu instinto e entrei. Quando fui lavar minhas mãos, reparei que uma senhora estava logo atrás de mim. Pressionei o suporte para pegar o sabonete e escolhi a torneira da esquerda, deixando a da direita para a mulher. Sacudi minhas mãos e fui ao encontro do papel para secá-las.

- Você se esqueceu de fechar a torneira.

- Nossa, é mesmo... A gente se acostuma com essas torneiras automáticas de só colocar as mãos embaixo e depois ela parar sozinha.

- É verdade, mas o engraçado é que você abriu a torneira...

- É, né?

- Deve ter sido o filme, difícil não ficar desnorteada depois dele...

O filme em questão é ‘Melancolia’, de Lars Von Trier. De fato, os minutos após qualquer filme dele sempre nos deixam meio perdidos de tanta informação. E com esse não foi diferente. Vejo suas produções como um desfile de moda. E antes que alguém queira me matar pela comparação, explico. Nunca vemos nas ruas exatamente o que é apresentado nas passarelas, mas sim a essência. Os exageros são descartados e a ideia da coleção, babados, renda, estampas ou transparência, por exemplo, é o que se vê nas vitrines.

Os longas-metragens de Von Trier seguem o mesmo modelo. Não temos uma vizinha que aos poucos perde a visão e guarda dinheiro em uma lata na cozinha (Dançando no Escuro), nem estamos diante de um planeta que ameaça atingir a Terra (Melancolia). No entanto, quem é que não conhece alguém que já foi enganado por quem confiava ou que por vezes tenta sorrir para disfarçar a insatisfação com o mundo, as pessoas e a vida de maneira geral?

‘Melancolia’ se torna muito próximo de qualquer um quando analisamos sua essência. Precisar estampar um sorriso no rosto mesmo quando se está de saco cheio de tudo. Sentir-se diferente e deslocado mesmo com conhecidos ao redor. O nome do longa já prepara o telespectador para o que está por vir. Retrata uma melancolia que todos sentem pelo menos uma vez na vida - entre sorrisos e lágrimas.

É intrigante perceber que na hora do desespero, a irmã mais sã – se é que posso chamá-la assim, vivida por Charlotte Gainsbourg, é que fica descontrolada. Enquanto kirsten Dunst, a louca – porque em algum momento do filme é assim que a vemos – é que consegue raciocinar e criar um momento mágico para o sobrinho. Cheguei até a me lembrar de ‘A Vida é Bela’.

‘Melancolia’ não é meu filme preferido de Lars Von Trier, mas não me decepcionei. Na verdade, acho que será difícil superar ‘Dogville’ e ‘Dançando no Escuro’. De qualquer forma, vale a pena assisti-lo. Sem falar na mais que agradável surpresa de encontrar Alexander Skarsgard, também conhecido como Eric, o vampiro viking de True Blood, no elenco. Depois dessa, quem quer saber de Brad Pitt e seu filme da árvore que ninguém entende nada? HAHA

sábado, 13 de agosto de 2011

Árvore da vida é a morte

O que te faz assistir a um filme no cinema? Algumas vezes, não é preciso ler resenhas e ouvir recomendações. A vontade surge pela admiração no diretor ou em alguns dos atores. Já que não conhecia nada de Terrence Malick, foi me baseando na trajetória de Sean Penn e Brad Pitt que revolvi ver ‘Árvore da Vida’. E foi depois deste filme que cheguei à conclusão de que aqueles atores que consideramos muito bons também fazem filmes muito ruins. Tá, eu já tinha percebido isso com Johnny Depp em ‘O Turista’, por exemplo, mas esta última experiência – com Pitt e Penn - conseguiu ser pior. Não me espantou saber que no há mãos de Douglas Trumbull, responsável pelos efeitos especiais de ‘2001 - Uma Odisséia no Espaço’. Mas foi surpreendente recordar que o longa-metragem que me inspirou para escrever este texto em plena madrugada é vencedor da Palma de Ouro de Cannes de 2011.

Há filmes que fazem a gente pensar, que nos enchem de questionamentos e tornam reflexivos os dias posteriores. Gosto deste perfil. ‘O Curioso Caso de Benjamin Button’, também com Brad Pitt, foi um dos que me deixou assim. Pensei que ‘Árvore da Vida’ seria desta forma. Pensei errado. E só não sai da sala ainda no começo – como algumas pessoas fizeram – porque mordi minha língua nos filmes que julguei pelos primeiros minutos, como ‘Dogville’ e ‘Dançando no Escuro’ – que hoje são uns dos meus favoritos. Por isso, fiquei na sala até o último segundo, torcendo para ser convencida de que o longa era bom e que valia meu sábado à noite. Mas ao contrário: suspirei de alívio pelo fim do filme igualmente a todos ali. Houve até uma sinergia, começamos a rir – eu e o resto do cinema. Rir para não chorar. Como disse minha mãe, teria sido melhor ter ficado em casa e visto a Norma e o Léo, da novela das nove.

'Alguém entendeu alguma coisa?', perguntou a mulher que descia a escada atrás de mim. Imediatamente lembrei daquela clássica história da roupa do rei. A tal roupa que só os inteligentes podiam ver. E para ninguém se passar por burro dizia que estava vendo algo. Mas como devem se lembrar, não havia roupa nenhuma. Inteligente foi o cara que não conseguiu terminar a roupa e teve a brilhante ideia de dizer que era um tecido à prova de burros. Pois bem, deve ter um ou outro que diga que ‘Árvore da Vida’ é um grande concorrente a melhor filme da história, pelo menos foi isso que li em alguns sites. Mas não tenho vergonha em dizer que não entendi na-da. História confusa. Cansativa. Não dá para saber exatamente quem morre, como, por que e quando. E mais: também não fiquei com vontade de assistir novamente para ver se entendo. Aliás, minha ideia de morte é muito diferente de ficar perambulando sem rumo pela praia.

‘Árvore da Vida’. Não recomendo. Mas sei que muita gente vai assistir de qualquer forma. Eu mesma iria, para tirar minhas próprias conclusões. Sou teimosa. Para quem for, boa sorte. E comenta aqui depois.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O sedutor

Quando ele chega, deixa todo mundo louco. As pessoas mudam o comportamento, a maneira de se vestir, de mexer o cabelo, de olhar e até de falar. Quem é que não gosta de impressionar? Seu poder é tanto que não há quem deixe de sorrir quando sente sua presença. Passa e arrasa corações.

Não é de hoje que deixa muita gente chorando. Alguns se trancam no quarto e passam horas ouvindo as músicas mais tristes possíveis. Outros gostam de escrever sobre ele para desabafar. E há textos feitos sob sua inspiração que são verdadeiras obras de arte. Há ainda aqueles que o esquecem bebendo. E, claro, os que fazem os três quase que simultaneamente.

Contudo, continua sendo desejado. Deve haver uma magia em sua essência para que derreta tantos corações. Mas também causa muita alegria e faz gente quase voar de tanta felicidade. E, mesmo sabendo dos contras que ele pode acarretar, as pessoas aceitam seu convite e se envolvem com seu encanto. Às vezes é até impossível negá-lo.

E quem diz sim a ele sempre tem lembranças inesquecíveis. Boas e ruins, claro. Mas depois de superadas as feridas, sempre se pode pegar o melhor da experiência.

Ele é o amor. E esta é minha (atrasada) homenagem ao Dia dos Namorados.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Teoria Conspiratória

Em 1904, houve uma revolta popular no Rio de Janeiro. A população temia à vacinação obrigatória, imposta pelo governo, contra a varíola.

Em 5 de abril de 2010, começa a 3ª etapa da vacinação contra a nova gripe H1N1, que inclui adultos de 20 a 29 anos. Neste caso, não haverá revolta, mas muitas das pessoas que conheço se recusam a receber a vacina.

Já ouvi diversas opiniões sobre o tema. Delas, a mais interessante diz que essa campanha é uma forma de exterminar parte da população. Afinal de contas, o mundo já está superpovoado e não precisa de tanta gente para dar continuidade à espécie. A teoria ainda vai além e relembra a Aids, que, seguindo a lógica da tal conspiração, foi um vírus feito em laboratório exclusivamente para diminuir a quantidade de pessoas no planeta. E, claro: há vários vídeos no youtube que ostentam essa ideia.

Minha surpresa não é nem saber que existe uma teoria conspiratória para a H1H1, mas é, a cada vez que vou contar o caso para alguém e debochar da situação, ouvir a pessoa concordar com a tese e dizer que também não irá se vacinar.

Prato cheio para quem adora ouvir versões de planos secretos que tramam o fim do mundo.

Santa imaginação, Batman!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Dicas teatrais

Tem gente que não vai ao teatro porque diz que é caro. Outros economizam para ver, vez e outra, aquela peça cara e super comentada. O que não sabem é que há inúmeras gratuitas. E muito boas. Recebi outro dia o jornal Engenho Mostra Um Pouco Do Que Gosta IV. Eles me ganharam pelo texto: leve e fácil, mas bem escrito; sonhador, mas também questionador e critico. Abaixo está um trecho e a programação. Assim, dá vontade de ver todas as peças.


"Essa gente não é mole: anda em grupo, bota a boca no trombone e taca o dedo nas feridas.

Mas acredite: são amigos, companheiros que pegam no pesado, trabalham muito para divertir a gente, viram tudo do avesso só pra fuçar e ver o que tem dentro. São artistas e técnicos, grupos de teatro que, fincando os pés no chão, sonham com um mundo mais justo e mais bonito.

Sonhar não enche barriga?

Ah, tem sonho que enche, preenche, forra e desforra. E diverte. E é o tipo de diversão que dá o que pensar, que faz pensar e ajuda a entender, a viver. E depois, quem é que não sonha? Quem é que não quer um mundo mais justo e bonito? Quem é que não quer viver melhor?

Então, é isso: pelo menos durante 5 finais de semana, você pode se divertir, ver, sentir e entender a vida de um jeito diferente. Nada do que você vê na TV. E não se assuste se aqui, no papel, alguma coisa parecer pesada: pesada é a vida que a gente leva, o mercado falido e os sonhos de consumo que, esses sim, não preenchem a vida de ninguém. Já o que os grupos de teatro fazem no palco com todo esse desmanche de seres humanos é bonito demais!

Uma última explicação: é tudo de graça porque esses grupos, além de sonhar e fabricar sonhos, vão à luta. Em 2002 conseguiram aprovar uma lei, o Programa Municipal de Fomento ao Teatro Para a Cidade de São Paulo. Desde então, a Prefeitura é obrigada a investir dinheiro em projetos como o Engenho Teatral, que organizou esta Mostra. Logo, isso já foi pago com o seu dinheiro, com o nosso dinheiro, com o dinheiro público.
Divirta-se!"


Programação
Dias 1 e 2
Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está, precisa se mexer
- Três atores falam de si e do mundo que desmorona à sua volta.

Dias 8 e 9
Homem cavalo e sociedade anônima
- A exploração do trabalho e os sonhos que não se realizam.

Dias 15 e 16
Hospital da gente
- Mulheres que vivem e pulsam nas pirambeiras, mas não pensam em ser “incluídas”.

Dias 22 e 23
Ensaio sobre Carolina
- A catadora de papel dos anos 50 ainda dá o que pensar para os negros de hoje no Brasil.

Dias 29 e 30
A Brava
- Joana D’Arc queima na fogueira por trilhar caminhos contrários ao estabelecido.

Todas as peças começam às 19h. É preciso chegar antes para garantir o ingresso.

Clube Escola Tatuapé
Rua Monte Serrat, 230 (Ao lado da estação Carrão do Metrô)
Tel. 2092-8865
http://engenhoteatral.wordpress.com/

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Em busca da felicidade

"A felicidade só é verdadeira quando é compartilhada"

O filme “Na natureza selvagem” poderia ser resumido nessa frase. Poderia. Apenas poderia. Contudo, para se chegar a uma conclusão é preciso experiência e maturidade. Christopher McCandless, personagem principal, interpretado por Emilie Hirsch, passou por várias etapas antes de concluir o que para alguns parece tão óbvio. Entretanto, há muito a ser absorvido para que a frase acima seja assimilada e aceita como verdade absoluta.

Nesses dias de frio, não tem programa melhor que ver DVD, coberto com edredom e comendo pizza, batata frita e chocolate. Assisti a esse filme no final de semana passado. E, acreditem, é muito bom. O longa foi escrito e dirigido pelo ator Sean Penn, aquele que fez “Sobre meninos e lobos”. Baseado no livro do escritor e jornalista Jon Krakauer, que relata a história real do aventureiro Christopher McCandless, o filme demorou anos para ser rodado, pois Penn queria a aprovação da família McCandless. E se era para ser bem feito, a trilha sonora também ganhou atenção: todas as músicas são cantadas por Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, que não deixou a desejar em nenhum aspecto – e olha que nem gosto tanto assim dele.

Com essas informações, vamos voltar ao filme. Imagine que, de presente de formatura, seus pais resolvem te dar um carro zero. Qualquer um, no mínimo, daria pulos de alegria. Esse não foi o caso de Christopher. O garoto ficou nervoso. Ele não precisava de um novo carro. Estava farto da vida de aparências que os pais ostentavam, da hipocrisia, do materialismo e de tudo que o lembrasse a falsidade que vivia - inclusive o dinheiro.

Dessa forma, doou os 24 mil dólares que tinha no banco para a caridade e abandonou todos para aventurar-se em um mundo desconhecido. Afinal, que companhia poderia ser melhor que as belas paisagens que a natureza esconde? Pedindo carona na estrada, andando de canoa e caminhando, viajou para lugares como Dakota do Sul, Arizona e Califórnia, mas seu objetivo era chegar até o Alasca.

Christopher seguiu em busca do autoconhecimento. Com pensadores como Tolstoi na ponta da língua, justificava sua fuga da sociedade. No caminho, encontrou outros andarilhos. Cada um com uma concepção diferente sobre a vida e a liberdade. Teve a oportunidade de estabelecer-se e apaixonar-se, mas tudo o que não queria era apegar-se a alguém. A natureza bastava. Ele só não sabia que ela poderia ser tão selvagem.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Holofotes, brilho e glamour

O ser humano é mesmo uma raça muito interessante: sempre deixa tudo para a última hora. É na semana do dia 20 que as vendas de natal aumentam, nos últimos dois dias antes da Páscoa que se vende mais chocolate, e por aí vai. Até para reconhecer o talento de alguém o povo se atrasa.

Explico: sabe aquele artista que já não faz mais sucesso - ou até faz, mas não como antigamente? Nada melhor do que morrer. Isso mesmo. O mercado musical comprova: morrer aumenta a venda de CD’s, traz fama e leva o falecido até os tablóides, onde a vida e a morte serão discutidas de inúmeras formas. E mais: se antes você era um filho-da-puta-idiota-e-imbecil, como em um passe de mágica – e a ajuda de alguns medicamentos para a overdose - torna-se um herói. Assim, fácil.

O nosso querido rei do pop é um grande exemplo. Michael Jackson até outro dia era visto como um pedófilo-branquelo-filho-da-puta. Hoje, tudo mudou. Depois da morte, o astro virou um herói. Não quero questionar o talento dele – até porque adoro Michael -, mas observem: desde a inesperada morte, na quinta-feira passada, o cantor de “Billie Jean” já vendeu mais CD’s que Elvis Presley e John Lennon após suas respectivas mortes, também repentinas.

O cara estava fá-li-do, e não que esteja milionário agora – primeiro porque ele está morto e segundo porque ainda deixou uma coleção de dívidas -, mas está cheio de neguinho querendo tirar proveito. Quem já tinha comprado entradas para a turnê européia, se quiser o dinheiro de volta, terá que devolver o ingresso. Mas quem é que vai entregar o precioso ticket que comprova que a pessoa iria mesmo ao espetáculo? O fã irá guardar. Ficará sem show, sem Michael e sem dinheiro, mas terá um valioso papel em mãos.

E até o Brasil entrou nessa boquinha. O Governo do Rio de Janeiro fará uma estátua do cantor no morro Dona Marta, onde ele filmou, em 1996, uma cena para o clipe da música "They Don't Care About Us". Isso sem falar, claro, da exposição na mídia. O cantor morreu na quinta e, no dia seguinte, o Globo Repórter já tinha um Especial Michael Jackson. Na TV, várias retrospectivas da carreira do astro pop. Nas bancas de jornal, já há uns três pôsteres dele. Nas rádios e nos bares, “Black or White”, “Thriller”, “Beat it”, entre outras.

Resumindo: se acha que sua carreira já afundou e que você não tem mais chance, não desista. Faça como Macabéa em “A hora da estrela”: morra. Depois, poderão falar que você se matou porque não aguentaria a pressão de fazer muitos shows, que não gostava do pai, que o seu filho não é seu e até que você era gay. Não importa. Você não verá nada disso mesmo. Alguns até vão dizer que você está escondido nas ilhas Cayman. Mas como dizem por aí: “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Justus, salários e a crise

Ana Paula Padrão foi para o SBT. Não deu certo.
Adriana Galisteu foi para o SBT. Não deu certo.

Agora, Roberto Justus também vai para o SBT.

Daqui a alguns meses volto a esse assunto.

E, nessa guerra entre emissoras, a disputa da vez, claro, é entre a Record e o canal de Silvio Santos. Alguns boatos dizem que a emissora de Edir Macedo ofereceu R$3 milhões de reais ao Gugu para que ele se junte a trupe do bispo.

- R$3 milhões por mês. Como é que pode? Se eu ganhasse isso por ano já estava feliz da vida – disse eu.
- Por ano? Se eu ganhasse esse valor uma vez na vida já estaria contente – rebateu um amigo.

Depois ainda falam em crise mundial. Essa é só uma desculpa para estagnar os salários e subir os preços dos serviços e alimentos.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Jornalistas, Deus e o Papa

Depois de falar incansavelmente sobre o voo 447 – é pior do que eu pensava: eu sei o número de cor -, a notícia da vez é o Supremo Tribunal Federal (STF) ter derrubado a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.

Eu, que serei jornalista formada no final deste ano, e, até onde sei, todos que conheço – inclusive estudantes -, somos favoráveis a esta decisão. Publicitários, por exemplo, também não são obrigados a ter diploma e, no entanto, as salas de aula do curso de Publicidade estão cheias.

Ao contrário do que alguns possam pensar, a não obrigatoriedade vai estimular as faculdades a enriquecer a grade curricular e os alunos a tornarem-se profissionais mais competentes. Afinal, mais que ter um diploma, para ser jornalista, será preciso ser realmente bom.

Mas não foram apenas a Air France e o STF que estamparam os noticiários. Espantei-me ao ver a capa da revista Época com a manchete “Deus é pop”. A notícia continua: “Uma pesquisa inédita revela que 95% dos jovens brasileiros se dizem religiosos – e eles estão em busca de novas formas de expressar a fé”. Cada um a sua forma, com idade entre 18 e 29 anos, 65% afirmam ser “profundamente religiosos”.

Alguns anos atrás, Humberto Gessinger, o mesmo que profetizou em uma canção que a juventude é uma banda em uma propaganda de refrigerante – um tempo depois Charlie Brown Jr. faria comerciais para a Coca-Cola - afirmava que o papa é pop.

Bem, se o papa fosse pop nos dias de hoje, nunca veríamos manchetes como essas: “Sexo casual entre brasileiros cresce, mas proteção diminui”, “Mais de 10% dos jovens brasileiros encontra parceiro sexual através da Internet”, “Mais jovens têm relações sexuais antes dos 15 anos; nº de parceiros aumenta”.

O papa foi passado para trás, mas Deus está aí: “bombando”, como disse uma garota, seguidora da igreja Bola de Neve, para a matéria da Época.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Brincadeira de criança

Maísa se muda para São Paulo

[...] Em abril, a coluna "Ooops!", do UOL, informou que a família da apresentadora estava se incomodando com dois fotógrafos, que perseguiam Maisa em sua cidade.

Por conta disso, a família da apresentadora mirim precisou alterar hábitos e até mesmo adaptar a ida da menina à escola.

A instituição teve que criar uma entrada secreta para a estudante famosa.

-----------------------------------

Quando eu era criança, não ganhava 20 mil reais por mês. Também não ganho esse valor agora. E, mesmo depois que eu terminar a faculdade, muito provavelmente, não ganharei.

Mas quando eu era criança, brincava na rua, jogava tazo e videogame, andava de bicicleta, assistia Sessão da Tarde, Anos Incríveis, Cavaleiros do Zodíaco e O Fantástico Mundo de Bob, acreditava que existiam fadas iguais as do Caça Talentos, escrevia carta todos os anos para o papai noel e também queria mandar algumas para o Mundo de Beakman. Isso se chama ter infância.

Infância. Está aí algo que 20 mil reais não compra. Mas eu tive.

Como já dizia o sábio Andrézinho, do Molejo: “brincadeira de criança, como é bom, como é bom”.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

E vai rolar a festa

Vinho quente. Quentão. Doces. Jogos. Música. Dança. Até quarta-feira, essas eram as características das festas juninas. Eram. O nosso governador, José Serra, sancionou ontem um projeto de lei aprovado pela Assembléia Legislativa que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas em festas organizadas nos estabelecimentos de ensino mantidos pela administração estadual.

Abre aspas. Vamos pensar um pouco: o que são estabelecimentos de ensino mantidos pela administração estadual? Escolas de ensino básico e superior, certo? E, claro, inclui faculdades e universidades. Fecha aspas.

Segundo o jornal Metrô News, a assessoria da Secretária Estadual da Casa Civil informou que ainda analisa se a lei é valida para as três universidades estaduais (USP, Unesp e Unicamp).

Abre aspas. Alguém já ficou bêbado com quentão ou vinho quente? Engraçado. Sempre achei que as festas juninas fossem um evento familiar. Os alunos levam os pais, os primos, os amigos e os vizinhos - só não levam o cachorro porque as inspetoras não costumam deixar. Ok. Terminei o colegial há cinco anos. Será que nesse tempo as festas juninas tornaram-se uma festa em que crianças trombadinhas enchem a cara de vinho quente, ficam bêbadas, invadem a diretoria e querem dominar a escola? Fecha aspas.

Sou adepta da seguinte frase: “Se for para fazer, então, faça direito”. Ou seja: é para proibir o consumo de álcool nas instituições públicas de ensino? Então proíba. Mas não exclua as universidades. A USP, por exemplo, tem as lendárias festas conhecidas pelas bebidas que circulam livremente e garantem histórias engraçadas pelo resto do ano. Isso porque, claro, sempre tem aquele que não sabe beber, enche a cara e “paga mico” a noite inteira. E essa seria a menor das consequências, já que essa mesma pessoa, provavelmente maior de 18 anos, poderia dirigir bêbada, brincar de empurrar os amiguinhos na piscina e o que mais a criatividade e o libido permitirem. Vamos ignorar isso e apelar para o quentão que, claaaro, já causou uma lista enorme de acidentes mundo afora, não é?

Que fique claro: não sou favorável à essa lei. E nem à proibição do álcool nas festas das universidades. Mas qual a lógica de censurar festas familiares e fechar os olhos para onde realmente há consumo exagerado de álcool? Ou faz direito ou não faz.

Pronto, falei.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Proibido para menores

Cena de "Antichrist", um dos filmes mais polêmicos de Cannes


Mutilação de membros. Sexo. Loucura. Terror. Essa não é a minha combinação preferida, mas faz parte da composição de “Antichrist”, filme que estreou no Festival de Cannes 2009.

O enredo conta a história de um casal que se isola em um chalé para tentar superar a morte do filho. Já na primeira cena, mostra-se um close, em câmera lenta, de uma penetração sexual, que transforma-se em violência e termina com uma chocante visão de uma mulher cortando o próprio clitóris com uma tesoura.

Forte. Muito forte. Só a descrição já agoniza. Se você, leitor, é uma mulher, com certeza remexeu as pernas e fez uma careta. Mas, se é homem, também não deve ter gostado do que leu. Eu não faria nenhuma questão de assistir, mas sabendo quem é o diretor, não poderia simplesmente ignorá-lo. Explico:

Dogville. Para quem me conhece, esse nome não é nem um pouco estranho. Trata-se de um dos meus filmes favoritos. É uma análise sobre o ser humano, em que o diretor, Lars Von Trier - o mesmo de “Antichrist“ -, nos apresenta a um mundo formado por pessoas hipócritas, falsas e egoístas. No fim, - isto é, para aqueles que conseguiram chegar ao final do longa - ama-se ou odeia-se a trama. Não há meio termo. Von Trier não se preocupa em agradar o telespectador. Hollywood não combina com ele.

“Dançando no Escuro”, outro filme do polêmico dinamarquês, para mim, tem o final mais trágico da história do cinema. Você não acredita no que está vendo e, mesmo que já tenha passado por situações semelhantes, fica abismado com o desenrolar da história. Isso porque ainda acreditamos no caráter do ser humano. Então, torcer por um final feliz, é como desejar um mundo que não seja tão mau quanto aparenta ser. Mas o diretor não nos polpa. Como já disse, ele não quer agradar.

Se me falassem que eu poderia conhecer cinco pessoas no mundo, uma delas seria ele. Gostaria de entender o porquê de tanto pessimismo em relação aos outros, pois, embora eu acredite em tudo o que ele mostra nesses filmes, ainda me iludo. Penso que, ainda que seja uma minoria, existem pessoas boas. Sou romântica. Mas um pouco de Dogville não faz mal a ninguém. Pelo contrário, o faz amadurecer.

Entretanto, “Antichrist” não foi aplaudido. Os críticos o classificaram como “de mau gosto”. Mas as produções desse dinamarquês não são para todos. Quem gosta de conto de fadas e comédias românticas ou procura finais felizes, não vai conseguir ficar mais de 10 minutos na frente dos longas dele. Pode até ser que este novo filme seja ruim mesmo, mas, se é do Von Trier, eu pago para ver.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

No ritmo da Virada

Alguns falam mal da organização e do público, mesmo quando é possível encontrar famílias inteiras andando de mãos dadas pelas ruas. Dizem que há confusão, referindo-se a uma briga que aconteceu dois anos atrás em um show dos Racionais – naquele dia, eu estava ali do lado e não vi nada.

Esquecem-se do objetivo do evento: promover cultura de forma acessível a todos – gratuitamente. Rock, samba, MPB, forró, teatro, cinema, exposição. Uma atração em cada esquina. E há desde nomes de pouco sucesso até atrações internacionais. Alguém, algum dia, já imaginou ver John Lord, ex-tecladista do Deep Purple, tocando com a orquestra sinfônica municipal?

É por essas e outras que gosto tanto da Virada Cultural. Essas 24 horas de atrações ainda nos reservam outras peculiaridades.

São momentos marcantes:
Essa é a única chance que o paulistano tem de andar durante a madrugada pelos arredores do centro de São Paulo sem ser assaltado. E, à noite, aquelas ruas ficam ainda mais lindas. As construções antigas ganham um novo brilho sob a luz do luar.
Em que outro evento é possível tomar café ao som de Matanza?

Os estilos se confundem:
Na aula de salsa, participaram vários cabeludos do metal. Destaque para um cara com camiseta do Manowar que aprendia a rebolar.

Perde-se a noção do tempo:
Em plena 7h da manhã, há pessoas bebendo cerveja e vinho.
A grama da Praça da República mais parecia uma volta aos anos 60, com hippies sentados, dormindo ou cantando.

Ignora-se as regras gramaticais:
Depois de cantar uma música em que parte da letra é “Só acredito no semáforo. Só acredito no avião. Eu acredito no relógio”, o vocalista do Vanguart soltou a melhor pérola da Virada Cultural:

- Eu só tenho duas PALAVRAS para vocês: FO-DA, disse, em alto e bom som, o frontman.

Bem, pelo menos, ele sabe contar até dois.

Só tenho uma reclamação a fazer: deveria ter mais lixeiras. Não foi à toa que a cidade amanheceu uma imundice. É falta de educação da população? É. Mas, se não há muitas latas de lixo, o que se pode dizer?



quarta-feira, 29 de abril de 2009

Na espera de um milagre

Eles tentaram, mas quando não havia outro jeito, disseram a verdade. Os rumores já tinham se espalhado e, como todo bom boato, diziam mais que a história original. Mas a realidade já era cruel o bastante. Nada poderia ser pior. Era a hora de se despedir de tudo e de todos. O vizinho chato nunca mais colocaria a música de péssimo gosto na maior altura. E isso pouco importava.

Ela não trabalharia mais em uma revista. Não viajaria para a Inglaterra. Nunca veria o Def Leppard e não dançaria “Hysteria” com seu amor platônico. E nem “The time of my life”. Na verdade, tudo acabaria e ele não saberia o quanto é importante. Há algumas pessoas que ela gostaria de dizer que ama, mas declaração perto do fim é tão clichê. Se em tanto tempo de convivência não perceberam a importância que tiveram, não seria um telefonema que os faria ter certeza.

As cinco cachorras também não farão festa quando ela chegar em casa. Porque não existirá mais casa, nem cachorras, nem ela, nem Dirty Dancing, Supernatural, Anos Incríveis, sexo, beijos, abraços, conversas longas, chocolate, Big Mac, rock, sertanejo, amigos, pizza de atum com queijo, sorvete de flocos, coca, risole de queijo, Rufles de churrasco, cerveja, provolone à milanesa, batata frita, bar, estrelas, noite, roxo, frio, mini-saia, botas, nem nada. O mundo está prestes a acabar. Em algumas horas, um meteoro atingirá o planeta.

Quem nunca imaginou o fim do mundo? A lista de filmes que encenam o dia apocalíptico não é pequena: “O Dia em que a Terra Parou”, “Eu Sou a Lenda”, “Guerra dos Mundos”, “Independence Day”, “Armageddon” e “Impacto Profundo” dão asas à imaginação. Entretanto, em exceção do longa interpretado por Will Smith – Eu sou a Lenda –, em que um vírus incurável expande-se pelo mundo, os demais falam sobre ataques extraterrestres e chuva de meteoros.

Como o fim do mundo por essas duas causas já está “batido”, neste exato momento, posso até imaginar o que passa pela cabeça dos roteiristas de Hollywood: gripe suína. Façam suas apostas: este tema vai “bombar” no próximo ano!

Brincadeiras à parte, espero que a ação fique apenas para os filmes. Porque, daqui a pouco, vai perder a graça. E as manchetes me assustam cada vez mais.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Notícias de hoje

Estado de S.Paulo - Ronaldo tem dia de Rei na Vila Belmiro.
Metrô News - Corinthians frita o peixe na Vila.

Cada um tem a sua linguagem. Não importa. A notícia é a mesma. Com direito a elogio do Pelé, Ronaldo fez dois gols e contribuiu para a vitória corintiana de 3 a 1. No próximo domingo haverá mais. O Santos que se prepare.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Uma noite de Kiss

Ouvir rock pode nos trazer várias sensações. Entretanto, para mim, um bom rock é aquele que diverte. E poucas bandas fazem isso. Não trata-se apenas de fazer o público cantar as músicas, mas de vestir a camiseta da banda, pagar caro por um ingresso, viajar quilômetros para ver uma apresentação, animar-se mesmo com músicas antigas e um espetáculo já previsto, em uma noite de terça-feira e, ainda assim, no final, sair com um sorriso estampado no rosto dizendo que valeu cada centavo gasto.

De fato, mover pessoas de estados como Brasília, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Curitiba e Santa Catarina, em plena terça-feira, não é uma tarefa fácil. Mas se é para ver o Kiss, os fãs não medem esforços. A frase “You Wanted the Best and You Got the Best. The Hottest Band in the World: Kiss!”, anuncia o que virá pela frente. Não estamos falando de um simples show, mas de um grande espetáculo, uma verdadeira festa de rock and roll.

E se é mesmo para divertir o público, efeitos especiais, explosões, chuva de papel e fogos de artifício não são nenhum exagero, mas uma extensão das canções e da própria proposta da banda, que é mostrar todo o prazer que o rock pode proporcionar. Assim, o visual e o sonoro se confundem. Não é à toa que o verso “I wanna rock and roll all nite and party everyday” é repetido por gerações.

E estar no meio da plateia, pulando, cantando - e até dançando - é uma sensação indescritível. Muito merecida depois da louca correria para a compra de ingresso. A banda Dr. Sin foi a escolhida para abrir o show dos mascarados. Ela teria a missão de aquecer os fãs, mas a ansiedade de ver a trupe mais divertida do rock foi tanta que, embora a banda dos irmãos Busic seja ótima, a ânsia para que o quarteto americano entrasse logo em ação foi clara. Mas eles sabiam que, pelo menos naquela noite, não eram a atração principal. Sucessos como “Fire”, “Miracle”e a famosa “Futebol, mulher e rock and roll” fizeram parte do repertório.

Depois da saída do Dr. Sin a expectativa aumentou, pois todos sabiam que a qualquer momento Simmons e cia poderiam subir ao palco. E eis que quando a cortina que estampava o nome da banda caiu, os fãs foram ao delírio. Sim, o Kiss entrou em cena. “Deuce”, seguida de “Strutter” e “Got to choose” abriram o show. Paul Stanley já é carismático por natureza e ficou mais ainda com a empolgação do público. "Todos estão se sentindo bem? Sentindo vontade de ficarem loucos? Estávamos com saudades de vocês, São Paulo", disse o guitarrista. Em seguida, atiçou todos com aquelas brincadeiras de rivalidade entre os shows de São Paulo e Rio de Janeiro. Em vários momentos, ele perguntava se os fãs queriam ir para casa. A resposta era negativa, claro. Então, atendiam ao pedido e continuavam tocando. "We love you" foi dito várias vezes.

Em “Rock and roll all nite”, aquela ideia de festejar o rock ganhou fôlego com uma chuva de papéis picados na pista vip. A plateia cantou a música com ainda mais entusiasmo. Era impossível não pular com um dos refrões mais conhecidos do mundo. A banda consegue transformar marmanjos em crianças. E quem é que não ergueu os braços e cantou sorrindo o hino do Kiss? Depois dele, encerrou-se a primeira parte da apresentação. Na volta, nossos heróis titânicos retornaram exibindo a bandeira do Brasil. Eles realmente sabem cativar o público. Músicas como "Lick it up", "I love it loud" e até "I was made for loving you" - criticada quando foi lançada - fizeram alegria do público na segunda parte do show.

Embora a formação clássica - e a preferida de muitos – seja com Ace Frehley e Peter Criss, é inegável que Eric Singer e Tommy Thayer são excelentes músicos. Com muita técnica, fizeram todos delirarem. Tommy com um longo e plausível solo em uma guitarra que disparava fogos de artifício e Eric “decolando” na bateria que soltava fogos e jatos de fumaça enquanto ele solava.

Mas o homem espacial e o homem gato não foram os únicos que tiveram seu momento de brilho. Gene encenou a famosa cena de cuspir sangue e, em seguida, foi levado à parte superior do palco por cabos de aço. Paul atravessou a pista vip e voou até as proximidades das torres de som para tocar “Love Gun”. Com o público já em êxtase, “Detroit rock city” fechou com chave de ouro. E já que aquela era uma grande celebração ao rock, o espetáculo terminou com o céu colorido com fogos de artifício. Felizes, os fãs deixavam a Arena Skol ao som de “God gave rock and roll to you”. Foram pouco mais de duas horas de animação.

É verdade que essas performances já eram previstas, mas estar diante delas é uma emoção única. Não há DVD que traga a mesma sensação. Foi um show recheado de movimentos e ações estratégicas. Não há como negar. E é aí que está o segredo da banda. Todos sabem o que vai acontecer, mas pagam para ver. E, diga-se de passagem, o preço não é barato. Mas vale.

Kiss - 07/04/09 - Arena Skol Anhembi

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Depois do dia da mentira

No dia 1ª de abril, eu sempre fico apreensiva com o que leio. Ontem, quando li que a Argentina perdeu de 6 a 1 para a Bolívia, achei que fosse brincadeira. Ri quando descobri que não era. E ri novamente quando imaginei a cara do Maradona.

Hoje, quando vi uma notícia falando sobre cerveja em pó, procurei a data para ver se ela não foi escrita ontem e se, por isso, não seria uma pegadinha. Mas além da informação ser de hoje, tem até o link para a compra - custa £7.95. Curioso. Seria a evolução da cevada?

Para prepará-la é simples: mistura-se o pó com água bem gelada, mexe e pronto. Cerveja feita como suco. Mas sou desconfiada. Deve fazer mal. O suco em pó já faz. Prefiro a original, servida em garrafa. Sou conservadora e não me envergonho disso. E quanto ao álcool?

Não acreditei na propaganda e fui até o site simular uma compra. E eis o resultado!

Ah, não vou entregar o ouro, né? Que graça tem se eu falar?

sábado, 28 de março de 2009

Prazer no fim da luz

É pelo título que escolho as matérias que vou ler. Há alguns tão interessantes que não consigo fazer nada antes de ver sobre o que se trata a reportagem. Entretanto, quando li: “Como ter um orgasmo durante o parto”, tive uma mistura de curiosidade, espanto e descrença. Então, cliquei no link. Durante os milésimos de segundo que a página levou para abrir, fiquei imaginando se o que me esperava era um passo a passo de como sentir prazer no momento mais doloroso da vida de uma mulher.

Depois de ouvir tantos relatos sobre o assunto, como eu poderia acreditar nessa promessa? Parto é quase um assunto proibido em minha casa. O trauma da minha mãe é tanto que, além de não comentar sobre os dela, também troca de canal todas as vezes em que passa na tv alguma cena de bebês chegando ao mundo. A trilha sonora para esse momento são os berros que, embora saiam da boca de uma mulher, de femininos não têm nada.

Também nunca entendi porque alguns maridos insistem em filmar esses minutos. Para que guardar um filme dos momentos mais dolorosos da minha vida? Eu sei que, apesar de tudo, é um instante de felicidade. É uma criança que está nascendo. E também sei que talvez falte a sensibilidade materna nos meus comentários. Mas agora, nesse exato momento em que ter filhos é um plano para daqui a uns dez anos, nada disso entra na minha cabeça. Nem a filmagem, nem o prazer.

Contudo, a minha curiosidade é tamanha que eu até optaria por um parto com orgasmo. Que mulher não escolheria isso? É uma excelente troca. Já me rendi por menos. Mas, confesso, esta situação seria um tanto quanto estranha. Imaginem os médicos em volta de mim e eu, de pernas abertas, gritando de prazer. Sem câmeras, por favor! Seria constrangedor. Qual seria a reação dos médicos enquanto a minha cara exibisse satisfação? Quando alguém me perguntasse “como é ter um filho?”, eu poderia responder que, sem sombra de dúvidas, é uma sensação única, um prazer inigualável.

Na verdade, a matéria não foi um passo a passo. A diretora de um documentário sobre parto orgástico também não fez promessas. O objetivo é mostrar que o orgasmo é uma possibilidade:

“A mulher só precisa estar preparada psicologicamente, porque o corpo já está pronto. O hormônio oxitocina, conhecido como o ‘hormônio do amor’, ajuda a mãe a expulsar o bebê do útero e também é produzido pelo corpo durante uma relação sexual, quando a mulher está excitada. O corpo reage de maneira muito parecida nessas situações que parecem distintas, mas são complementares. O parto faz parte da sexualidade.”