Às vezes, esperamos tanto por algo e quando finalmente acontece não sabemos como reagir.
Quando terminei o colegial e consegui uma bolsa na faculdade, aparentava ter 14 anos e não me achava pronta para entrar no ensino superior. Eu havia estudado muito para isso, mas a cara e os pensamentos de criança não colaboravam para que eu me imaginasse como uma universitária. Essa palavra era pesada e agregava uma responsabilidade e uma maturidade que eu ainda não tinha.
Quatro anos mais tarde, aqui estou eu: formada. Agora, já tenho cara de uns 18 ou 19 anos. Trabalho na área e sou mais confiante. Tenho cachorros, já escrevi um livro e, como dizem por aí, só falta plantar uma árvore.
No entanto, só agora é que a ficha começa a cair. Depois das férias, amanhã volto ao trabalho. E não terei mais aquelas preocupações como: "quando começam as aulas?", "será que aquele professor dará aula para a gente de novo?" e "preciso comprar um caderno novo". No lugar dessas, entraram: "o que eu vou fazer depois do trabalho?", "não é meio vagabundo parar de estudar?", "preciso fazer algo útil à noite".
Embora eu tenha esperado tanto por isso, ainda é estranho pensar que já terminei o curso. Sentirei falta dos amigos que encontrava todos os dias, de ter que sair correndo da empresa, comer qualquer coisa e ir à aula, das brigas para fazer os trabalhos, dos professores e até de ver aquelas pessoas que eu nem conversava.
Mas, realmente, preciso encontrar algo para fazer à noite. O trajeto casa-trabalho-casa me parece meio monótono. Como as pessoas conseguem fazer só isso?
domingo, 3 de janeiro de 2010
O dia depois de amanhã
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Dono da noite

A noite de ontem - nem precisaria dizer - foi um caos. Sem semáforos nos cruzamentos, o trânsito se tornou a casa da mãe Joana - o povo acha que só porque buzina tem o direito de passar. Sem metrô, os pontos de ônibus ficaram lotados. As ruas desertas e escuras davam medo.
Mas já passou. O que ficou foram as histórias. Ter participado do apagão é quase como um orgulho. Cada um quer contar onde estava no momento em que as luzes se apagaram. Entre tantas aventuras, nenhuma supera chegar ao trabalho, entrar na internet e encontrar, apenas algumas horas depois do acontecido, camisetas sendo vendidas com os dizeres “Apagão 2009. Eu Fui!”. O brasileiro é mesmo rápido. Haja criatividade.
Mas já passou. O que ficou foram as histórias. Ter participado do apagão é quase como um orgulho. Cada um quer contar onde estava no momento em que as luzes se apagaram. Entre tantas aventuras, nenhuma supera chegar ao trabalho, entrar na internet e encontrar, apenas algumas horas depois do acontecido, camisetas sendo vendidas com os dizeres “Apagão 2009. Eu Fui!”. O brasileiro é mesmo rápido. Haja criatividade.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
O que os olhos veem, é o que se espera ver na mesa
Publicidade é tudo. Principalmente quando se está com fome. Na hora de escolher o prato, o fator decisivo não será o nome dos ingredientes, mas sim a imagem. Quando a foto é caprichada, a boca saliva, os olhos arregalam, a barriga ronca, só para mostrar o quanto precisa ser alimentada, e o dedo vai em direção à figura:
- É esse aqui que eu quero!
Outro dia, essa atitude, tão comum a quem está faminto, fez-me questionar por que é que a minha mente gorda não aprende, de uma vez por todas, que a imagem não é o mais importante. Trata-se apenas de um truque de publicitários filhos-da-puta que usam photoshop para deixar a foto da sua futura refeição mais saborosa para os olhos. Se trabalhassem em conjunto com os chefes de cozinha, seria ótimo. Mas ao contrário, preferem iludir os pobres esfomeados.
Observem:

Foi esse maravilhoso e apetitoso hambúrguer, repleto de cheddar, que eu pedi em um dos restaurantes do Habibbs.
Mas o que chegou na minha mesa foi isso:

Apenas isso.
Odeio publicitários.
- É esse aqui que eu quero!
Outro dia, essa atitude, tão comum a quem está faminto, fez-me questionar por que é que a minha mente gorda não aprende, de uma vez por todas, que a imagem não é o mais importante. Trata-se apenas de um truque de publicitários filhos-da-puta que usam photoshop para deixar a foto da sua futura refeição mais saborosa para os olhos. Se trabalhassem em conjunto com os chefes de cozinha, seria ótimo. Mas ao contrário, preferem iludir os pobres esfomeados.
Observem:
Foi esse maravilhoso e apetitoso hambúrguer, repleto de cheddar, que eu pedi em um dos restaurantes do Habibbs.
Mas o que chegou na minha mesa foi isso:
Apenas isso.
Odeio publicitários.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Paixão de adolescente
Na primeira vez que o vi, eu era uma criança. Mas lembro de tê-lo achado bonitão. Na segunda vez, pelo menos uns dez anos já haviam se passado. O contexto era outro. Sabia que conhecia aquele rosto. Encantei-me ainda mais. Vendo-o dançar, eu quis levantar e imitar os passos. Seu sorriso me intimidava e seu olhar me deslumbrava.
Entre tanto fascínio, não percebi que o tempo passou para mim e também para ele. Em 1987, quando fazia sucesso em “Dirty Dancing – Ritmo Quente” e já tinha por volta de 30 anos, eu chegava ao mundo. Três anos mais tarde, ele estava no auge do sucesso com “Ghost – Do Outro Lado da Vida” e eu ainda usava fraudas. Quando assistia seus filmes na TV, tratava-se de reprises. Aquele rosto que eu via, na vida real, já apresentava os sinais da idade.
Hoje de manhã, quando li que Patrick Swayze morreu, lamentei. E aqui fica uma singela homenagem de quem, mesmo depois dos 20 anos, ainda delira com o personagem Johnny Castle e chora com Sam Wheat.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Força inexorável?
Destino. Alguns acreditam que é possível lê-lo pela borra de café. Outros afirmam que pelas linhas da palma da mão é possível não apenas ver o futuro, mas também o passado, o presente e até parte da vida passada. Algumas religiões acreditam em sina e, segundo elas, nossa vida inteira já estaria traçada antes mesmo de nascermos.
Sinceramente, acho que cada um constrói o próprio futuro, mas penso que algumas pessoas estão predestinadas a passar pela nossa vida. Elas aparecem despretensiosamente, mas, se analisarmos melhor, poderiam ter surgido de inúmeras formas. A impressão que dá é de que teríamos as conhecido de uma forma ou de outra.
Por esta razão, às vezes me rendo ao verso “deixa a vida me levar”. É mais fácil pensar assim. É como abrir os braços e boiar esperando que a água nos leve para onde ela quer. Entretanto, vez e outra surgem algumas decisões que, pelo menos aparentemente, podem mudar todo o rumo percorrido até então. E dá medo. Dá medo de errar. De afastar pessoas que gostamos e situações que queremos vivenciar.
Na minha visão, magoar quem gostamos é como magoar a si próprio. Mas deixar de fazer o que desejamos para não magoar outras pessoas também é uma forma de se magoar. O interessante é que se me dessem essa questão para resolver algum tempo atrás, teria a resposta na ponta da língua. Mas quando o caso é com a gente, é sempre mais complicado. E, agora, eu não sei a resposta.
Sinceramente, acho que cada um constrói o próprio futuro, mas penso que algumas pessoas estão predestinadas a passar pela nossa vida. Elas aparecem despretensiosamente, mas, se analisarmos melhor, poderiam ter surgido de inúmeras formas. A impressão que dá é de que teríamos as conhecido de uma forma ou de outra.
Por esta razão, às vezes me rendo ao verso “deixa a vida me levar”. É mais fácil pensar assim. É como abrir os braços e boiar esperando que a água nos leve para onde ela quer. Entretanto, vez e outra surgem algumas decisões que, pelo menos aparentemente, podem mudar todo o rumo percorrido até então. E dá medo. Dá medo de errar. De afastar pessoas que gostamos e situações que queremos vivenciar.
Na minha visão, magoar quem gostamos é como magoar a si próprio. Mas deixar de fazer o que desejamos para não magoar outras pessoas também é uma forma de se magoar. O interessante é que se me dessem essa questão para resolver algum tempo atrás, teria a resposta na ponta da língua. Mas quando o caso é com a gente, é sempre mais complicado. E, agora, eu não sei a resposta.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Antes de mais nada
Há idéias que são mais fortes que nós. A gente cresce, amadurece, tem novas experiências e, consequentemente, novos pensamentos. Mas não adianta. É como se fosse uma promessa. Não importa quanto tempo passe, o espírito não se acalma até que façamos o que dissemos que faríamos. Quando pensamos que ele esqueceu, algo acontece para nos lembrar do prometido.
Nas últimas semanas, fiquei longe do blog. Novos fatos aconteceram e demora-se um tempo para assimilá-los e compreendê-los. Nada melhor que deixar o tempo passar para, mais tarde, interpretar o acontecido. E aqui estou eu: de volta ao Conversa de Mesa de Bar e pronta para filosofar sobre as inúmeras histórias que nos cercam.
Nas últimas semanas, fiquei longe do blog. Novos fatos aconteceram e demora-se um tempo para assimilá-los e compreendê-los. Nada melhor que deixar o tempo passar para, mais tarde, interpretar o acontecido. E aqui estou eu: de volta ao Conversa de Mesa de Bar e pronta para filosofar sobre as inúmeras histórias que nos cercam.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Dicas teatrais
Tem gente que não vai ao teatro porque diz que é caro. Outros economizam para ver, vez e outra, aquela peça cara e super comentada. O que não sabem é que há inúmeras gratuitas. E muito boas. Recebi outro dia o jornal Engenho Mostra Um Pouco Do Que Gosta IV. Eles me ganharam pelo texto: leve e fácil, mas bem escrito; sonhador, mas também questionador e critico. Abaixo está um trecho e a programação. Assim, dá vontade de ver todas as peças.
"Essa gente não é mole: anda em grupo, bota a boca no trombone e taca o dedo nas feridas.
Mas acredite: são amigos, companheiros que pegam no pesado, trabalham muito para divertir a gente, viram tudo do avesso só pra fuçar e ver o que tem dentro. São artistas e técnicos, grupos de teatro que, fincando os pés no chão, sonham com um mundo mais justo e mais bonito.
Sonhar não enche barriga?
Ah, tem sonho que enche, preenche, forra e desforra. E diverte. E é o tipo de diversão que dá o que pensar, que faz pensar e ajuda a entender, a viver. E depois, quem é que não sonha? Quem é que não quer um mundo mais justo e bonito? Quem é que não quer viver melhor?
Então, é isso: pelo menos durante 5 finais de semana, você pode se divertir, ver, sentir e entender a vida de um jeito diferente. Nada do que você vê na TV. E não se assuste se aqui, no papel, alguma coisa parecer pesada: pesada é a vida que a gente leva, o mercado falido e os sonhos de consumo que, esses sim, não preenchem a vida de ninguém. Já o que os grupos de teatro fazem no palco com todo esse desmanche de seres humanos é bonito demais!
Uma última explicação: é tudo de graça porque esses grupos, além de sonhar e fabricar sonhos, vão à luta. Em 2002 conseguiram aprovar uma lei, o Programa Municipal de Fomento ao Teatro Para a Cidade de São Paulo. Desde então, a Prefeitura é obrigada a investir dinheiro em projetos como o Engenho Teatral, que organizou esta Mostra. Logo, isso já foi pago com o seu dinheiro, com o nosso dinheiro, com o dinheiro público. Divirta-se!"
Programação
Dias 1 e 2
Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está, precisa se mexer
- Três atores falam de si e do mundo que desmorona à sua volta.
Dias 8 e 9
Homem cavalo e sociedade anônima
- A exploração do trabalho e os sonhos que não se realizam.
Dias 15 e 16
Hospital da gente
- Mulheres que vivem e pulsam nas pirambeiras, mas não pensam em ser “incluídas”.
Dias 22 e 23
Ensaio sobre Carolina
- A catadora de papel dos anos 50 ainda dá o que pensar para os negros de hoje no Brasil.
Dias 29 e 30
A Brava
- Joana D’Arc queima na fogueira por trilhar caminhos contrários ao estabelecido.
Todas as peças começam às 19h. É preciso chegar antes para garantir o ingresso.
Clube Escola Tatuapé
Rua Monte Serrat, 230 (Ao lado da estação Carrão do Metrô)
Tel. 2092-8865
http://engenhoteatral.wordpress.com/
"Essa gente não é mole: anda em grupo, bota a boca no trombone e taca o dedo nas feridas.
Mas acredite: são amigos, companheiros que pegam no pesado, trabalham muito para divertir a gente, viram tudo do avesso só pra fuçar e ver o que tem dentro. São artistas e técnicos, grupos de teatro que, fincando os pés no chão, sonham com um mundo mais justo e mais bonito.
Sonhar não enche barriga?
Ah, tem sonho que enche, preenche, forra e desforra. E diverte. E é o tipo de diversão que dá o que pensar, que faz pensar e ajuda a entender, a viver. E depois, quem é que não sonha? Quem é que não quer um mundo mais justo e bonito? Quem é que não quer viver melhor?
Então, é isso: pelo menos durante 5 finais de semana, você pode se divertir, ver, sentir e entender a vida de um jeito diferente. Nada do que você vê na TV. E não se assuste se aqui, no papel, alguma coisa parecer pesada: pesada é a vida que a gente leva, o mercado falido e os sonhos de consumo que, esses sim, não preenchem a vida de ninguém. Já o que os grupos de teatro fazem no palco com todo esse desmanche de seres humanos é bonito demais!
Uma última explicação: é tudo de graça porque esses grupos, além de sonhar e fabricar sonhos, vão à luta. Em 2002 conseguiram aprovar uma lei, o Programa Municipal de Fomento ao Teatro Para a Cidade de São Paulo. Desde então, a Prefeitura é obrigada a investir dinheiro em projetos como o Engenho Teatral, que organizou esta Mostra. Logo, isso já foi pago com o seu dinheiro, com o nosso dinheiro, com o dinheiro público. Divirta-se!"
Programação
Dias 1 e 2
Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está, precisa se mexer
- Três atores falam de si e do mundo que desmorona à sua volta.
Dias 8 e 9
Homem cavalo e sociedade anônima
- A exploração do trabalho e os sonhos que não se realizam.
Dias 15 e 16
Hospital da gente
- Mulheres que vivem e pulsam nas pirambeiras, mas não pensam em ser “incluídas”.
Dias 22 e 23
Ensaio sobre Carolina
- A catadora de papel dos anos 50 ainda dá o que pensar para os negros de hoje no Brasil.
Dias 29 e 30
A Brava
- Joana D’Arc queima na fogueira por trilhar caminhos contrários ao estabelecido.
Todas as peças começam às 19h. É preciso chegar antes para garantir o ingresso.
Clube Escola Tatuapé
Rua Monte Serrat, 230 (Ao lado da estação Carrão do Metrô)
Tel. 2092-8865
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