quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Ela (a gente)
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
A gente
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Histórias de segundos
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Pura verdade
Sinceridade. Ninguém diz que não é sincero. Mas o que é ser sincero? Falar a verdade às vezes ofende. Às vezes estraga o que demorou anos para ser construído. Omitir é deixar a sinceridade de lado, mas nem tudo precisa ser dito. O problema é quando a consciência pesa.
Uns dizem que preferem sempre a verdade. Outros pensam que se a verdade não é relevante, é melhor não saber. E quando a gente ouve o que não gosta, não pensa em como foi difícil para a outra pessoa contar. Ela poderia ter omitido. Mas se resolve falar é porque a pessoa que vai ouvir é de alguma forma importante. E não é fácil contar. Quem conta, coloca em risco o que tem. É preciso pensar no momento certo, na forma certa, no tom certo. E ainda há os conflitos de dizer ou não dizer.
Tem verdade que dá medo. A gente não quer saber por que sabe que vai se machucar. E enquanto as palavras não se manifestam, há sempre uma esperança. Às vezes a verdade está ali, na nossa cara, mas não enxergamos, porque não queremos acreditar. Talvez essa seja a pior verdade, porque nos faz se sentir como idiotas.
A verdade pode ter o poder de mudar uma vida. Se a gente soubesse o resultado, talvez nem começasse. Mas tem também aquela verdade que já é conhecida, mas que não muda nada. Não é que ela seja agradável, mas quando você a conhece, sabe como agir, sabe o que pensar. É bom tê-la por perto para nos lembrar da realidade.
Mas tem gente que insisti tanto em ter a verdade que, quando a tem, não sabe o que fazer. É fácil dizer que quer ouvir. Difícil é conviver com algo que não precisaria estar ali. Que incomoda. Mas que já não significa nada para a outra pessoa. Então por que saber? Já temos dificuldade em lidar com o presente. Sendo assim, para que envolver o passado na história?
Por outro lado, há verdades que precisam ser ditas. Ajudam a traçar o futuro com base no presente. Talvez esteja aí o segredo: o que é atual e continuo deve ser dito, mas o que se trata do passado e de coisas que já não fazem mais sentido podem ser omitidos. Pura e simplesmente porque não importam mais e só vão machucar quem ouve com o que já nem corresponde à realidade.
Sobretudo, antes de mais nada, é preciso saber que há sempre os dois lados, o de quem conta e o de quem ouve. E costuma ser conflituoso para ambos.
domingo, 25 de março de 2012
Cantadas de construção
Sempre me perguntei qual o sentido daqueles caras de obras que soltam os ‘eee, gostchosa’ e ‘ôoo, delichia’. Eles sabem que não vão conseguir nada com isso.
Mas aí o Carpinejar respondeu, no livro ‘Canalha!’:
São ‘homens que estão trabalhando secretamente para os namorados e maridos (...) Até supõem que têm alguma chance, mas não estão seduzindo, estão uivando’
E complementa:
‘Os desaforos de rua são cremes caros e instantâneos. Recuperam cinco anos em questão de dez segundos. O que são as plásticas perto de um elogio safado? Beleza não é beleza sem antes receber a condecoração do trânsito’.
Achei engraçadíssimo!
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Último golpe
Ter pela metade ou não ter? A frase pode ser aplicada em diversas situações e, embora o conceito seja o mesmo, a resposta pode variar de acordo com o caso. Mas não ter por inteiro é quase como não ter. Então, tanto faz. Mas ter um pouco tem poder ilusório. A gente acha que tem, mas não tem. E dá trabalho se desapegar do pouco. A gente sofre por migalha. E não deveria.
Também sofre antes da hora, é verdade. Mas, às vezes, a situação é tão evidente que não há como negar. E, como dizem, é melhor não esperar nada. E o que vier – se vier -, é lucro. Mas nem sempre a gente lucra. É preciso saber perder. Ou simplesmente não ganhar. E se eu teria feito diferente? Até teria. Mas isso hoje, com a experiência adquirida depois de tanto tempo. Na época, aquilo foi o que eu tinha para oferecer.
É triste perder tempo. Pensar em anos gastos e um único objetivo que não foi alcançado. Mas eu não tenho pressa. Sei que a paciência é um dom. E eu sei esperar. Também não tenho receio de mudar. Essa história está me modificando e eu ainda não tenho uma opinião formada a respeito. E não vejo problema nisso.
Tem dor que a gente pressente. Mas a dor já não me assusta. Eu fecho os olhos e deixo ela vir. Suspiro e respiro fundo como se isso fosse fazer doer menos. Sei que não vai, mas é só o corpo tentando se defender. A dor é importante para a transformação. Não adianta querer pular etapa. Sei que vou me machucar. Mas preciso disso para me desapegar.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Além dos portões
Quando pequena, me perdi algumas vezes dos meus pais. Mas esses episódios não vêm ao caso. Quero contar da vez em que sai de casa. Deixei meu primo de uns 20 anos que estava cuidando de mim, peguei um dinheiro que eu tinha guardado e simplesmente sai, sem nada ter planejado. Queria sozinha desbravar o que havia além dos portões da minha casa. E tudo é novo e atrativo quando se tem seis anos.
Antes, porém, resolvi passar na bomboniere. Afinal, onde mais uma criança poderia gastar o seu rico dinheirinho? Com doces na mão, fui em direção ao caminho que eu já conhecia. Porque mesmo quando queremos fugir, sempre vamos para onde nos sentimos seguros. Quando percebi, estava indo para loja da minha mãe. Seriam uns 20 minutos de caminhada. Eu achava que conhecia o caminho.
O trajeto foi uma aventura. Na metade, lembro-me de ter encontrado uma menina que parecia ter minha idade. Ela me chamou e começamos a conversar. Até que me dei conta de que estava ficando tarde e resolvi prosseguir. Passei feliz pelas ruas que eu nunca tinha percorrido sozinha antes. Sentia-me livre. Independente. Confiava apenas na minha memória. Vai reto até o final da rua, depois vira à direita e sobe até a praça e, em seguida, desce a rua.
Quando finalmente cheguei, minha mãe estava desesperada. Meu primo havia acabado de telefonar dizendo que me procurou por toda a casa e não me encontrou. Minha mãe me abraçou forte e eu percebi a admiração e o espanto dela por eu ter conseguido chegar lá sozinha. Ela não entendia o porquê de eu ter feito isso. Eu disse apenas que queria ir até lá e que não havia passado pela minha cabeça pedir que meu primo me levasse. Na verdade, até hoje não sei o que deu em mim naquele dia.
Eu poderia ter me perdido. Alguém poderia ter me pegado. Só que não tive medo. Mas, pensando aqui, agora, digo que hoje que conhecemos os caminhos, colocamos empecilhos. Temos medo de seguir em frente. Talvez a melhor jornada seja aquela desconhecida. Ao acaso. Apenas seguindo sem pensar na possibilidade de se perder. Mesmo quando não conhecemos bem a trilha. Porque o conhecimento também limita. Por isso, vou pensar que não sei ao certo onde estou. É melhor ir descobrindo aos poucos.