quarta-feira, 14 de abril de 2010
Palavras
Combinadas, as palavras podem formar versos, poemas, músicas e contos. Com o toque certo, formam-se verdadeiras obras de arte. Com tanta riqueza na linguagem, é possível dizer a mesma frase de inúmeras maneiras. Diante de tal fato, arrisco-me a dizer que, portanto, ser delicado, sutil, direto ou ignorante é questão de escolha. E o português nos dá várias.
Há quem diga que, em um momento de raiva, as pessoas não costumam pensar. Mas, para ofender alguém e tocar bem forte com o dedão em uma ferida recente, ainda sangrando, é preciso ser habilidoso e calculista. Isto porque selecionar as palavras certas não é uma tarefa fácil. É preciso analisar o que irá machucar mais, saber em qual parte aumentar o tom, em que momento ser sarcástico, rir e ir embora.
Contudo, passado algum tempo, mesmo depois de dizer mil palavras ofensivas, existirá uma que será quase que impronunciável. É como se pesasse um milhão de toneladas. E dizê-la até parece que dói. Trata-se de um termo simples, fácil de ser pronunciado, embora traga uma carga de significância indescritível.
É só um amontoado de letras. Verdade. Mas traz simbologia, representa sentimentos. Por isso, também não basta ser dita. Precisa ser sentida. Tem que ser verdadeira. Porque quem pede desculpas, diz muito de uma só vez. Não precisa explicar, enrolar ou tentar justificar. É só pedir. D-E-S-C-U-L-P-A. Mas esta parece ser mais uma palavra em extinção. Deve ser isso.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Teoria Conspiratória
Em 5 de abril de 2010, começa a 3ª etapa da vacinação contra a nova gripe H1N1, que inclui adultos de 20 a 29 anos. Neste caso, não haverá revolta, mas muitas das pessoas que conheço se recusam a receber a vacina.
Já ouvi diversas opiniões sobre o tema. Delas, a mais interessante diz que essa campanha é uma forma de exterminar parte da população. Afinal de contas, o mundo já está superpovoado e não precisa de tanta gente para dar continuidade à espécie. A teoria ainda vai além e relembra a Aids, que, seguindo a lógica da tal conspiração, foi um vírus feito em laboratório exclusivamente para diminuir a quantidade de pessoas no planeta. E, claro: há vários vídeos no youtube que ostentam essa ideia.
Minha surpresa não é nem saber que existe uma teoria conspiratória para a H1H1, mas é, a cada vez que vou contar o caso para alguém e debochar da situação, ouvir a pessoa concordar com a tese e dizer que também não irá se vacinar.
Prato cheio para quem adora ouvir versões de planos secretos que tramam o fim do mundo.
Santa imaginação, Batman!
segunda-feira, 29 de março de 2010
Fazia tempo...
Contudo, ele está sempre lá, nos esperando. Vemos algo e nos lembramos dele na hora. Não tem jeito. Lamentamos não estar por perto quando queremos, porque a gente quer contar tudo: encontros mal-sucedidos, conversas engraçadas, filmes legais, viagens emocionantes, enfim.
E nem sabemos dizer exatamente o que ele é. Só sabemos que gostamos, sentimos saudades e pensamos muito nele. E é por isso que sempre volto. Porque ter blog é bem melhor que diário. E, uma vez que o temos, é difícil deixá-lo. A gente quer atualizar, deixar a página bonita, colocar fotos legais. Afinal de contas, ele tem muito de nós. De mim. Não posso abandoná-lo. Não quero.
O Conversa de Mesa de Bar passou por umas reformas e agradece a criatividade e disposição do Cicutaneles. Em breve, mais postagens.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Um café e uma dose de ironia, por favor!
- Você conhece uma doença chamada Câncer?
- Hãn? Conheço, ué..
- Ah, tá.. É que parece que foi inventada agora, com a Hebe. Os programas de TV não sabem falar de outra coisa. Até parece que ela é a primeira pessoa a ter.
By minha mãe
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Histórias de cozinha
É por isso que quando minha mãe, que na época tinha um comércio, me dava a opção de fazer comida e limpar a casa ou tomar conta da loja, eu escolhia a segunda alternativa. Ligava o rádio e, ao som da 89 FM – que naquele tempo ainda tocava rock -, arrumava as mercadorias, vendia, ficava no caixa, enfim, fazia todo o trabalho por lá.
Pois bem. Tudo na vida tem um preço. Outro ditado manjado e, por isso, também ignorado. Se me pedirem para fazer um texto, eu faço. Se me pedirem para entrevistar Fulano de Tal, eu entrevisto. Se me pedirem para assistir ao show da Maria Sicrana e fazer uma resenha, eu também faço. Mas, por favor, não me peçam para fazer arroz, pois, já aviso de antemão, sairá uma papinha-estranha-não-comível-por-seres-humanos.
Foi uma glororoba desse tipo que eu fiz durante as férias na praia. Não fosse a batata frita, a salada – porque, afinal de contas, não sou tão ignorante assim na cozinha – e o churrasco de picanha feito pelo meu namorado e, pronto, o almoço teria sido um desastre. No outro dia, sugeri que fossemos comer em um restaurante. Brincar de casinha havia perdido a graça.
Comovido com meu drama em não saber cozinhar, o pessoal do meu trabalho se reuniu e me deu várias dicas de como fazer um arroz soltinho. "Quando a cebola e o alho estiverem dourando, joga o arroz", disse um deles. "Quando o arroz começar a grudar na panela é a hora de colocar a água", falou outro. "A quantidade de água é só um dedo acima do arroz, hein?", alertou outro.
Se até a filha de 9 anos do Fulano sabe, por que eu não posso aprender? Agora, é questão de honra.
domingo, 3 de janeiro de 2010
O dia depois de amanhã
Às vezes, esperamos tanto por algo e quando finalmente acontece não sabemos como reagir.
Quando terminei o colegial e consegui uma bolsa na faculdade, aparentava ter 14 anos e não me achava pronta para entrar no ensino superior. Eu havia estudado muito para isso, mas a cara e os pensamentos de criança não colaboravam para que eu me imaginasse como uma universitária. Essa palavra era pesada e agregava uma responsabilidade e uma maturidade que eu ainda não tinha.
Quatro anos mais tarde, aqui estou eu: formada. Agora, já tenho cara de uns 18 ou 19 anos. Trabalho na área e sou mais confiante. Tenho cachorros, já escrevi um livro e, como dizem por aí, só falta plantar uma árvore.
No entanto, só agora é que a ficha começa a cair. Depois das férias, amanhã volto ao trabalho. E não terei mais aquelas preocupações como: "quando começam as aulas?", "será que aquele professor dará aula para a gente de novo?" e "preciso comprar um caderno novo". No lugar dessas, entraram: "o que eu vou fazer depois do trabalho?", "não é meio vagabundo parar de estudar?", "preciso fazer algo útil à noite".
Embora eu tenha esperado tanto por isso, ainda é estranho pensar que já terminei o curso. Sentirei falta dos amigos que encontrava todos os dias, de ter que sair correndo da empresa, comer qualquer coisa e ir à aula, das brigas para fazer os trabalhos, dos professores e até de ver aquelas pessoas que eu nem conversava.
Mas, realmente, preciso encontrar algo para fazer à noite. O trajeto casa-trabalho-casa me parece meio monótono. Como as pessoas conseguem fazer só isso?
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Dono da noite

Mas já passou. O que ficou foram as histórias. Ter participado do apagão é quase como um orgulho. Cada um quer contar onde estava no momento em que as luzes se apagaram. Entre tantas aventuras, nenhuma supera chegar ao trabalho, entrar na internet e encontrar, apenas algumas horas depois do acontecido, camisetas sendo vendidas com os dizeres “Apagão 2009. Eu Fui!”. O brasileiro é mesmo rápido. Haja criatividade.