sábado, 5 de fevereiro de 2011

Para rir - Volume I

Céu claro. Sol. Calor. E o relógio já marca 19h. Alguém pode me dizer por que diabos fazer aula de direção noturna? Certamente, o gênio que tornou isso obrigatório se esqueceu de que há horário de verão. Mero detalhe.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Lembranças

Não éramos os irmãos perfeitos. Ele gostava de mexer na minha bolsa para ver se tinha doces, de secar a mão na minha toalha e de sair correndo na minha frente para tomar banho primeiro que eu. E há outro banheiro, mas era aquele que gostávamos de usar.

Também me acordava aos sábados com metal na maior altura. Mas disso eu não reclamava. E gostava de colocar o hino do Corinthians na última altura quando nosso Timão fazia gol. Aliás, era uma festa em casa nos dias de jogos. Minha mãe tinha que fazer comida especial e os dois pulavam pela sala nas comemorações. Mas quando nosso time perdia, éramos proibidos de falar sobre a partida. O silêncio era decretado no mesmo instante.

Quando crianças, passávamos o dia vendo TV, comendo doces e tomando tubaína. Depois ele entrou na escola e eu ia buscá-lo. Comprava salgadinho e voltávamos para casa correndo porque ele sempre inventava de tocar campainha das casas pelo caminho e tínhamos que fugir para não sermos vistos.

Começou a se interessar por cinema. Passava o dia baixando filmes. Sabia a ficha completa de atores e diretores. Ele e minha mãe amavam ‘O Poderoso Chefão’, Alfred Hitchcock e Al Pacino. De vez em quando, agradava-me com filmes e séries que eu gostava.

Começamos a ir para shows juntos. Whitesnake e Judas Priest foi nosso primeiro show. Na verdade, fui eu que comecei a ouvir rock, mas foi ele quem se aprofundou na música. Pagou metade do meu ingresso para ver Dio porque queria ir à apresentação, mas não sabia chegar ao Credicard Hall. E, assim, fui a alguns shows na maior facilidade – com ele pagando parte da minha entrada -, até que cresceu e aprendeu a sair sozinho. A partir daí, se quisesse ir junto, tinha que pagar pelo meu próprio ingresso. As vantagens de ser irmã mais velha não costumam durar para sempre.

Talvez por isso que me interessei tanto em trabalhar no ramo da música. Quem não gostaria de entrar em shows com crachá de imprensa? Depois compensei e o levei comigo a um show como fotógrafo, mas quem teve que se virar para tirar fotos e depois fazer resenha fui eu. Justo, pois já tinha me pagado vários ingressos.

Rock, cinema e Corinthians faziam sua diversão. Mas a vida – ou a morte – não poupa alguém por saber se divertir – porque isso ele sabia. Gostava de tomar cerveja, comer batata frita e pizza. Se eu deixasse, todo meu Visa Vale seria gasto na pizzaria. Sempre pedia para eu comprar a de carne seca. Nunca comprei. Dizia que poderia ser da próxima vez. E agora não posso mais. Não há próxima vez.

sábado, 4 de setembro de 2010

Leve desespero

"...Sob um leve desespero
Que me leva, que me leva daqui..."

Procuro entre camisas do Corinthians e garotos altos e magros de 20 anos. Sei que não é você. Não poderia ser. Mas volto a olhar para ter certeza. Inocência minha. Ou seria covardia em não acreditar - embora não haja maneira de negar?

Cena mais forte. Dor mais intensa. Dúvida eterna. Em meio a pensamentos desconexos, volto ao questionamento. E sei que não há respostas. O que poderia justificar? Vejo-me presa em um labirinto com perguntas que só geram novas perguntas.

Silêncio. A vida se torna chata sem você. Falta o ânimo, a alegria e o entusiasmo que você tinha. Eu defendo o Corinthians, mas é você quem sabe a escalação do time. Eu gosto de rock, mas é você quem tem milhares de CDs, conhece as bandas e o nome de todas as músicas. Adoro filmes, mas é você quem sabe falar dos diretores e elenco. Eu só gosto, você ama. As preferências são nossas, mas a intensidade é sua.

Quem vai levar meus filhos ao Pacaembu e ensiná-los a ouvir metal?

sábado, 3 de julho de 2010

Da decepção à alegria

Assistir às partidas do Brasil no trabalho é sempre complicado. Não adianta. Em algum momento sai aquele:

- Chuta! Chuta! Chu-ta, filho da p.... Ops!

A mão vai à boca como um gesto de repressão, a cabeça fica baixa instantaneamente como um pedido de desculpas e logo surge aquela olhada discreta para ver se algum diretor está por ali.

Mas quando o jogo não está bom e o nervosismo invade o ambiente, as pessoas saem de si e não se dão conta do que fazem. As reações seguintes deixam de ser reprimidas, como se todos estivessem na sessão de “Dois Minutos de Ódio”, do livro “1984”, de George Orwell.

Quisera eu ter uma câmera para filmar os socos na mesa e os gritos desesperados do pessoal do trabalho durante o segundo tempo e teria diversão para o ano inteiro. Mas, confesso, também estaria nessas cenas bizarras.

E ainda me pergunto por que o Brasil perdeu. Seria a torcida do rock star Mick Jagger que trouxe azar à Seleção? Ou foi praga de um colega que colocou no bolão – antes da Copa começar – que nosso País seria eliminado pela Holanda nas quartas de final?

Passada a decepção, nada como ver os hermanos perderem no dia seguinte. Duvido que qualquer terapia gere o mesmo efeito.

A cara de tristeza do Maradona ao assistir à Argentina ser goleada por 4 a 0 - espera aí: ZE-RO - não tem preço!


terça-feira, 15 de junho de 2010

Comer ou não comer?

Hoje, terça-feira, é dia de McArgentina. E também estreia do Brasil na Copa do Mundo.

E daí? Pois bem. Desde que o McDonald's lançou os novos hambúrgueres, tenho vontade de experimentar o argentino. Mas sempre por algum motivo acabo não comendo.

Por outro lado, meu coração disparava só de pensar que o Mundial da África do Sul faltava poucos dias para começar. E hoje, jogo da Seleção, estava mais nervosa que o comum.

Até o horário do almoço, uma questão não saía da minha cabeça: Será que comer o McArgentina no dia da partida da Seleção Brasileira vai dar azar ao País? Comer ou não comer?

Não arrisquei. Achei melhor escolher o Quarteirão. Não que eu seja muito supersticiosa, mas é melhor evitar, né? Afinal de contas, a Argentina nunca traria sorte ao Brasil. Posso esperar uma semana pelo tão comentado hambúrguer. Pior seria a consciência pesada caso desse zebra e a Seleção perdesse.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Palavras

O alfabeto tem 26 letras. Na língua portuguesa, há mais de 400 mil palavras registradas nos dicionários. E se considerarmos a linguagem popular, que é formada e reformulada a cada dia, esse número vai muito além.

Combinadas, as palavras podem formar versos, poemas, músicas e contos. Com o toque certo, formam-se verdadeiras obras de arte. Com tanta riqueza na linguagem, é possível dizer a mesma frase de inúmeras maneiras. Diante de tal fato, arrisco-me a dizer que, portanto, ser delicado, sutil, direto ou ignorante é questão de escolha. E o português nos dá várias.

Há quem diga que, em um momento de raiva, as pessoas não costumam pensar. Mas, para ofender alguém e tocar bem forte com o dedão em uma ferida recente, ainda sangrando, é preciso ser habilidoso e calculista. Isto porque selecionar as palavras certas não é uma tarefa fácil. É preciso analisar o que irá machucar mais, saber em qual parte aumentar o tom, em que momento ser sarcástico, rir e ir embora.

Contudo, passado algum tempo, mesmo depois de dizer mil palavras ofensivas, existirá uma que será quase que impronunciável. É como se pesasse um milhão de toneladas. E dizê-la até parece que dói. Trata-se de um termo simples, fácil de ser pronunciado, embora traga uma carga de significância indescritível.

É só um amontoado de letras. Verdade. Mas traz simbologia, representa sentimentos. Por isso, também não basta ser dita. Precisa ser sentida. Tem que ser verdadeira. Porque quem pede desculpas, diz muito de uma só vez. Não precisa explicar, enrolar ou tentar justificar. É só pedir. D-E-S-C-U-L-P-A. Mas esta parece ser mais uma palavra em extinção. Deve ser isso.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Teoria Conspiratória

Em 1904, houve uma revolta popular no Rio de Janeiro. A população temia à vacinação obrigatória, imposta pelo governo, contra a varíola.

Em 5 de abril de 2010, começa a 3ª etapa da vacinação contra a nova gripe H1N1, que inclui adultos de 20 a 29 anos. Neste caso, não haverá revolta, mas muitas das pessoas que conheço se recusam a receber a vacina.

Já ouvi diversas opiniões sobre o tema. Delas, a mais interessante diz que essa campanha é uma forma de exterminar parte da população. Afinal de contas, o mundo já está superpovoado e não precisa de tanta gente para dar continuidade à espécie. A teoria ainda vai além e relembra a Aids, que, seguindo a lógica da tal conspiração, foi um vírus feito em laboratório exclusivamente para diminuir a quantidade de pessoas no planeta. E, claro: há vários vídeos no youtube que ostentam essa ideia.

Minha surpresa não é nem saber que existe uma teoria conspiratória para a H1H1, mas é, a cada vez que vou contar o caso para alguém e debochar da situação, ouvir a pessoa concordar com a tese e dizer que também não irá se vacinar.

Prato cheio para quem adora ouvir versões de planos secretos que tramam o fim do mundo.

Santa imaginação, Batman!