O que te deixa estressada?
Pessoas ignorantes.
O que te faz sorrir?
Ouvir minhas músicas preferidas no rádio.
O que te faz chorar?
Chorar? Humm, eu não queria responder o mesmo que todo mundo - filmes -, mas eu chorei até com “Titanic”.
Depois dessas perguntas, respondidas para um programa de um grupo de alunos de Rádio e TV, fiquei pensativa. Será que só os filmes conseguem me comover? E quanto à vida real?
Ontem, enquanto fazia o caminho da faculdade, no metrô, igual a todos os bons anti-sociais, estava com o meu MP3 no ouvido. Tocava New Radicals:
Ninety miles outside chicago
Can't stop driving
I don't know why
So many questions
I need an answer
Two years later you're still on my mind
Whatever happened to Amelia Earhart
Who holds the stars up in the sky
Is true love just once in a lifetime
Did the captain of the titanic cry?
Estava na estação Sé e cantava uma música que, embora gostasse muito, fazia anos que não ouvia. Do meu lado, havia um garoto, aparentemente de uns 20 anos. Algo estava errado. Olhei melhor. Ele estava chorando. Tímido, olhava para baixo, colocava a mão na testa e chorava disfarçadamente. Era visível a dor que sentia. Enxugava o rosto e, cinco segundos depois, voltava a chorar. E chorava tanto que soluçava e as costas tremiam. Ele era mais alto que eu, mas, daquele jeito, parecia pequeno.
Eu não sabia o que fazer. Queria perguntar o motivo do choro, mas poderia ser inconveniente. Lembrei que, às vezes, gosto de estar sozinha, pensar e sofrer sem ninguém ao meu lado. Só que no aperto de uma das estações mais cheias do Metrô, é difícil estar sozinho. Mas ele estava. Queria abraçá-lo, envolvê-lo em meus braços e dizer que tudo ficaria bem. Não importava que era apenas um estranho. Vê-lo chorar, fez-me ter vontade de chorar também. Sou de peixes. E todo bom pisciano consegue sentir a dor alheia. Teria ele brigado com os pais? Alguém tinha morrido? O choro dele era incontrolável. Devia ter muitos motivos para estar daquele jeito. Enquanto isso, a música continuava:
Someday we'll know
If love can move a mountain
Someday we'll know
Why the sky is blue
Someday we'll know
Why I wasn´t meant for you
Does anybody know the way to Atlantis
Or what the wind says when she cries
I'm speeding by the place that I met you
For the 97th time..... tonight
Chegou um vagão, a porta se abriu e nós entramos. Eu acompanhava cada movimento dele. Queria fazer algo. Ensaiei o que poderia dizer. Mas tudo parecia idiota suficiente para o silêncio ser melhor. Pedro II. Brás. Bresser. Era a minha estação. Eu tinha que descer. E isso significava deixá-lo. Deixar para trás o estranho que tinha acabado de me cativar sem nem mesmo saber que fazia isso.
Eu desci. E não disse uma palavra.
Someday we'll know
Why Samson loved Delilah
One day I'll go
Dancing on the moon
Someday you'll know
That I was the one for you
(yeah yeah yeah yeah)
I bought a ticket to the end of the rainbow
I watched the stars crash in the seaIf
I could ask god just one question
Why aren't you here with me....tonight
Ok. Não sou tão insensível assim, mas sou covarde.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Na espera de um milagre
Eles tentaram, mas quando não havia outro jeito, disseram a verdade. Os rumores já tinham se espalhado e, como todo bom boato, diziam mais que a história original. Mas a realidade já era cruel o bastante. Nada poderia ser pior. Era a hora de se despedir de tudo e de todos. O vizinho chato nunca mais colocaria a música de péssimo gosto na maior altura. E isso pouco importava.
Ela não trabalharia mais em uma revista. Não viajaria para a Inglaterra. Nunca veria o Def Leppard e não dançaria “Hysteria” com seu amor platônico. E nem “The time of my life”. Na verdade, tudo acabaria e ele não saberia o quanto é importante. Há algumas pessoas que ela gostaria de dizer que ama, mas declaração perto do fim é tão clichê. Se em tanto tempo de convivência não perceberam a importância que tiveram, não seria um telefonema que os faria ter certeza.
As cinco cachorras também não farão festa quando ela chegar em casa. Porque não existirá mais casa, nem cachorras, nem ela, nem Dirty Dancing, Supernatural, Anos Incríveis, sexo, beijos, abraços, conversas longas, chocolate, Big Mac, rock, sertanejo, amigos, pizza de atum com queijo, sorvete de flocos, coca, risole de queijo, Rufles de churrasco, cerveja, provolone à milanesa, batata frita, bar, estrelas, noite, roxo, frio, mini-saia, botas, nem nada. O mundo está prestes a acabar. Em algumas horas, um meteoro atingirá o planeta.
Quem nunca imaginou o fim do mundo? A lista de filmes que encenam o dia apocalíptico não é pequena: “O Dia em que a Terra Parou”, “Eu Sou a Lenda”, “Guerra dos Mundos”, “Independence Day”, “Armageddon” e “Impacto Profundo” dão asas à imaginação. Entretanto, em exceção do longa interpretado por Will Smith – Eu sou a Lenda –, em que um vírus incurável expande-se pelo mundo, os demais falam sobre ataques extraterrestres e chuva de meteoros.
Como o fim do mundo por essas duas causas já está “batido”, neste exato momento, posso até imaginar o que passa pela cabeça dos roteiristas de Hollywood: gripe suína. Façam suas apostas: este tema vai “bombar” no próximo ano!
Brincadeiras à parte, espero que a ação fique apenas para os filmes. Porque, daqui a pouco, vai perder a graça. E as manchetes me assustam cada vez mais.
Ela não trabalharia mais em uma revista. Não viajaria para a Inglaterra. Nunca veria o Def Leppard e não dançaria “Hysteria” com seu amor platônico. E nem “The time of my life”. Na verdade, tudo acabaria e ele não saberia o quanto é importante. Há algumas pessoas que ela gostaria de dizer que ama, mas declaração perto do fim é tão clichê. Se em tanto tempo de convivência não perceberam a importância que tiveram, não seria um telefonema que os faria ter certeza.
As cinco cachorras também não farão festa quando ela chegar em casa. Porque não existirá mais casa, nem cachorras, nem ela, nem Dirty Dancing, Supernatural, Anos Incríveis, sexo, beijos, abraços, conversas longas, chocolate, Big Mac, rock, sertanejo, amigos, pizza de atum com queijo, sorvete de flocos, coca, risole de queijo, Rufles de churrasco, cerveja, provolone à milanesa, batata frita, bar, estrelas, noite, roxo, frio, mini-saia, botas, nem nada. O mundo está prestes a acabar. Em algumas horas, um meteoro atingirá o planeta.
Quem nunca imaginou o fim do mundo? A lista de filmes que encenam o dia apocalíptico não é pequena: “O Dia em que a Terra Parou”, “Eu Sou a Lenda”, “Guerra dos Mundos”, “Independence Day”, “Armageddon” e “Impacto Profundo” dão asas à imaginação. Entretanto, em exceção do longa interpretado por Will Smith – Eu sou a Lenda –, em que um vírus incurável expande-se pelo mundo, os demais falam sobre ataques extraterrestres e chuva de meteoros.
Como o fim do mundo por essas duas causas já está “batido”, neste exato momento, posso até imaginar o que passa pela cabeça dos roteiristas de Hollywood: gripe suína. Façam suas apostas: este tema vai “bombar” no próximo ano!
Brincadeiras à parte, espero que a ação fique apenas para os filmes. Porque, daqui a pouco, vai perder a graça. E as manchetes me assustam cada vez mais.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Notícias de hoje
Estado de S.Paulo - Ronaldo tem dia de Rei na Vila Belmiro.
Metrô News - Corinthians frita o peixe na Vila.
Cada um tem a sua linguagem. Não importa. A notícia é a mesma. Com direito a elogio do Pelé, Ronaldo fez dois gols e contribuiu para a vitória corintiana de 3 a 1. No próximo domingo haverá mais. O Santos que se prepare.
Metrô News - Corinthians frita o peixe na Vila.
Cada um tem a sua linguagem. Não importa. A notícia é a mesma. Com direito a elogio do Pelé, Ronaldo fez dois gols e contribuiu para a vitória corintiana de 3 a 1. No próximo domingo haverá mais. O Santos que se prepare.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Em ritmo acelerado
No ano que vem? Ah, eu penso em fazer uma outra faculdade. Mas o curso que quero são cinco anos. É muito tempo, né? Só vou terminar quando estiver com 27. Eu também poderia fazer um mestrado. Estou pensando em um tema para desenvolver. Mas também pode ser uma pós-graduação. Hoje? Ah, é. Tenho que terminar o programa de rádio. Amanhã tenho prova de inglês. A Virada Cultural? Vou. Claro que vou. Você gosta de teatro? Tem umas peças legais que quero ver. Mas domingo tenho que ir para Mogi e começar as entrevistas para o livro-reportagem. Falando nisso, tenho que fazer a pauta do programa de TV. Já ouviu o novo disco do Heaven and Hell? Ficou muito bom, né? Vamos ao bar depois da aula? Preciso relaxar. Amanhã ainda tem reunião do grupo.
Às vezes, pareço uma geminiana.
Às vezes, pareço uma geminiana.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Chique no úrtimo
Nosso presidente é mesmo “o cara”. Além de ser um dos políticos mais populares da Terra, Lula também virou personagem do “South Park”.
No episódio “Pinewood Derby”, que foi ao ar ontem, nos Estados Unidos, os personagens lutavam contra uma invasão de alienígenas. Para evitá-la, pediram ajuda a diversos líderes mundiais. E o Lula foi um deles.
Uns elogios de Obama aqui. Alguns empréstimos ao FMI ali. E pronto. Já estamos até em seriados americanos. Nosso líder populista não teve fala nesse capítulo, mas esperem só até a próxima piadinha. Afinal, a crise mundial não foi mesmo causada por branco de olhos azuis?
No episódio “Pinewood Derby”, que foi ao ar ontem, nos Estados Unidos, os personagens lutavam contra uma invasão de alienígenas. Para evitá-la, pediram ajuda a diversos líderes mundiais. E o Lula foi um deles.
Uns elogios de Obama aqui. Alguns empréstimos ao FMI ali. E pronto. Já estamos até em seriados americanos. Nosso líder populista não teve fala nesse capítulo, mas esperem só até a próxima piadinha. Afinal, a crise mundial não foi mesmo causada por branco de olhos azuis?
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Novos mundos
Quem é que não tem uma vó, um pai, um tio ou um amigo que adora contar histórias? Curiosa como sou, adoro conhecer outras vidas. Acredito que todos tenham casos interessantes. Basta saber dar o toque certo de humor e/ou sensibilidade.
Entretanto, algumas histórias pedem mais atenção. É preciso estar preparado para entendê-las. Ops, eu disse entender? Não. Alguns fatos estão além da nossa compreensão. Nosso estilo de vida nos limita. E não há como entender algo sem vivenciá-lo.
Vez e outra, minha mãe conta sobre a infância que teve: comia fruta direito da árvore, tomava banho no rio e fazia festa quando via um carro passar – automóveis eram raros onde ela morava, no interior de Alagoas. Nem consigo me imaginar nessas situações. Eu cresci na “cidade grande”. Mal podia brincar na rua. Era perigoso. Dormia ao som de carros, ônibus e caminhões. Respirava o ar poluído e atraente do centro urbano. Na verdade, ainda faço isso, pois, embora brincar na rua seja algo que deixei de fazer há anos, dormir e respirar ainda estão na minha lista de “coisas que preciso fazer”.
Mas essa comparação é boba. Quero ir além. Comecei a pesquisar sobre o Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti - antigo asilo-colônia Santo Ângelo - para o livro-reportagem que farei com meu grupo de faculdade. Ouvi e li alguns relatos de pessoas que tiveram que deixar amigos, familiares, casa e o que mais tivessem para construir uma nova vida. Foram isoladas do mundo porque apresentavam risco à sociedade: tinham hanseníase. Para quem não sabe, no começo do século passado, o DPL (Departamento de Prevenção à Lepra), na tentativa de impedir que a lepra se espalhasse pelo estado de São Paulo, encarregou-se de isolar todos que apresentassem sinal de hanseníase. O local escolhido foi Santo Ângelo - Mogi das Cruzes, São Paulo.
Aos que já leram ou assistiram “Ensaio sobre a cegueira”, não é difícil imaginar essa cena. Muitos foram internados ainda jovens. Vi uma entrevista com uma mulher que chegou até o hospital com 10 anos. Sessenta e quatro anos depois, ainda mora lá. Mas é preciso dizer que formou-se uma espécie de cidade em volta do hospital e, embora apenas habitado pelos doentes, chegou a ter prefeito, cadeia, bar, teatro e suas próprias leis. Hoje, há apenas uma lanchonete, um teatro abandonado, igrejas e casas habitadas pelos descendentes dos hansenianos. E muitos não têm mais a doença.
Falar sobre Santo Ângelo ainda é complexo para mim. Há muitas histórias. Preciso assimilar as informações que recebo. Cada vez me impressiono mais. Meu olhar brilha de empolgação e eu me entusiasmo ao falar, pois vejo um universo novo que pede para ser desvendado. No entanto, mesmo com meu fascínio, quem ouve essas histórias imagina personagens deprimidos. Perguntam-me se não é triste fazer essas visitas. E confesso que também pensei que encontraria pessoas deprimidas e melancólicas. Afinal, motivo é o que não falta.
Na verdade, olhamos para elas com a visão de quem estuda, trabalha, vai ao cinema, come no Mc Donald’s no final de semana e vai à praia no feriado. E quem foi que disse que é preciso fazer essas coisas para ser feliz? Uma pessoa não sente falta daquilo que nunca fez. Para dizermos que algo é ruim, necessariamente, precisamos conhecer algo melhor. E vice-versa. Como cada pessoa tem suas próprias experiências, o bom e o ruim são sempre relativos.
Não existe uma fórmula para ser feliz. A frase “não tenho do que reclamar” foi muito usada em todas as entrevistas que li. Não é porque estão numa colônia de portadores de hanseníase que não podem ser alegres. Fizeram amigos, namoraram, casaram, tiveram filhos, ficaram viúvos, casaram novamente. Esse ciclo funciona em qualquer lugar.
Há quem carregue histórias deprimentes, como a de ter que abandonar filhos e família, e há também aqueles que chegaram órfãos ao hospital. Claro que não escolheram ter hanseníase. Ninguém planeja uma doença. Mas já que tiveram, encontraram uma forma de ser feliz com o que tinham.
Nós, que ficamos deprimidos com coisas bobas, é que não conseguimos ver conexão entre uma doença e um sorriso. Então, nos surpreendemos ao encontrar pessoas tão sorridentes, carentes e felizes por Santo Ângelo. Como se todos tivessem que ser infelizes por não serem iguais a nós e não terem o mesmo estilo de vida que temos.
Há muito mais a ser dito. Minha mente borbulha em ideias e questionamentos toda vez que mergulho nesse trabalho, mas deixemos o restante para um outro post, porque esse aqui já está gigante.
Entretanto, algumas histórias pedem mais atenção. É preciso estar preparado para entendê-las. Ops, eu disse entender? Não. Alguns fatos estão além da nossa compreensão. Nosso estilo de vida nos limita. E não há como entender algo sem vivenciá-lo.
Vez e outra, minha mãe conta sobre a infância que teve: comia fruta direito da árvore, tomava banho no rio e fazia festa quando via um carro passar – automóveis eram raros onde ela morava, no interior de Alagoas. Nem consigo me imaginar nessas situações. Eu cresci na “cidade grande”. Mal podia brincar na rua. Era perigoso. Dormia ao som de carros, ônibus e caminhões. Respirava o ar poluído e atraente do centro urbano. Na verdade, ainda faço isso, pois, embora brincar na rua seja algo que deixei de fazer há anos, dormir e respirar ainda estão na minha lista de “coisas que preciso fazer”.
Mas essa comparação é boba. Quero ir além. Comecei a pesquisar sobre o Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti - antigo asilo-colônia Santo Ângelo - para o livro-reportagem que farei com meu grupo de faculdade. Ouvi e li alguns relatos de pessoas que tiveram que deixar amigos, familiares, casa e o que mais tivessem para construir uma nova vida. Foram isoladas do mundo porque apresentavam risco à sociedade: tinham hanseníase. Para quem não sabe, no começo do século passado, o DPL (Departamento de Prevenção à Lepra), na tentativa de impedir que a lepra se espalhasse pelo estado de São Paulo, encarregou-se de isolar todos que apresentassem sinal de hanseníase. O local escolhido foi Santo Ângelo - Mogi das Cruzes, São Paulo.
Aos que já leram ou assistiram “Ensaio sobre a cegueira”, não é difícil imaginar essa cena. Muitos foram internados ainda jovens. Vi uma entrevista com uma mulher que chegou até o hospital com 10 anos. Sessenta e quatro anos depois, ainda mora lá. Mas é preciso dizer que formou-se uma espécie de cidade em volta do hospital e, embora apenas habitado pelos doentes, chegou a ter prefeito, cadeia, bar, teatro e suas próprias leis. Hoje, há apenas uma lanchonete, um teatro abandonado, igrejas e casas habitadas pelos descendentes dos hansenianos. E muitos não têm mais a doença.
Falar sobre Santo Ângelo ainda é complexo para mim. Há muitas histórias. Preciso assimilar as informações que recebo. Cada vez me impressiono mais. Meu olhar brilha de empolgação e eu me entusiasmo ao falar, pois vejo um universo novo que pede para ser desvendado. No entanto, mesmo com meu fascínio, quem ouve essas histórias imagina personagens deprimidos. Perguntam-me se não é triste fazer essas visitas. E confesso que também pensei que encontraria pessoas deprimidas e melancólicas. Afinal, motivo é o que não falta.
Na verdade, olhamos para elas com a visão de quem estuda, trabalha, vai ao cinema, come no Mc Donald’s no final de semana e vai à praia no feriado. E quem foi que disse que é preciso fazer essas coisas para ser feliz? Uma pessoa não sente falta daquilo que nunca fez. Para dizermos que algo é ruim, necessariamente, precisamos conhecer algo melhor. E vice-versa. Como cada pessoa tem suas próprias experiências, o bom e o ruim são sempre relativos.
Não existe uma fórmula para ser feliz. A frase “não tenho do que reclamar” foi muito usada em todas as entrevistas que li. Não é porque estão numa colônia de portadores de hanseníase que não podem ser alegres. Fizeram amigos, namoraram, casaram, tiveram filhos, ficaram viúvos, casaram novamente. Esse ciclo funciona em qualquer lugar.
Há quem carregue histórias deprimentes, como a de ter que abandonar filhos e família, e há também aqueles que chegaram órfãos ao hospital. Claro que não escolheram ter hanseníase. Ninguém planeja uma doença. Mas já que tiveram, encontraram uma forma de ser feliz com o que tinham.
Nós, que ficamos deprimidos com coisas bobas, é que não conseguimos ver conexão entre uma doença e um sorriso. Então, nos surpreendemos ao encontrar pessoas tão sorridentes, carentes e felizes por Santo Ângelo. Como se todos tivessem que ser infelizes por não serem iguais a nós e não terem o mesmo estilo de vida que temos.
Há muito mais a ser dito. Minha mente borbulha em ideias e questionamentos toda vez que mergulho nesse trabalho, mas deixemos o restante para um outro post, porque esse aqui já está gigante.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Meu curioso caso
Nossa mente é engraçada. Vez e outra, pego-me cantando uma música que não lembro quando e por que comecei. E ao prestar atenção na letra, percebo que ela se encaixa perfeitamente com o que eu estava pensando. É como se fosse uma resposta que eu dei, sem perceber, aos questionamentos que estava fazendo. Dou risada sozinha. Nos últimos dias, uma ideia não saia da minha cabeça: tinha que assistir novamente “O curioso caso de Benjamin Button”. Não sabia bem o porquê, mas precisava rever esse filme.
Ele fala de liberdade, amor, aceitar-se como somos e de apreciar e aprender com tudo que a vida pode nos proporcionar: desde paixões momentâneas até as perdas das pessoas que amamos. A vida fica linda sob a ótica de Benjamin e qualquer problema pode ser encarado de bom-humor dessa forma. Só esses motivos já seriam mais que suficientes para eu sentar na frente da tv pelas quase três horas de duração do longa. Mas não era só isso. Era minha mente querendo responder às perguntas que eu fazia a mim mesma. Tive certeza disso depois de rever as peripécias de um dos meus personagens favoritos.
As pessoas falam em carpe diem como desculpa para justificar ações inconsequentes, mas esse termo não é sinônimo de irresponsabilidade. Quer dizer aproveitar o momento, e não agir como louco para criar um. Alguns dizem que, às vezes, o meu racional fala alto. Mas é que não sou muito fã do efêmero. Assim como Benjamin, penso que não se deve forçar situações. Quando tem que acontecer, elas simplesmente acontecem. Naturalmente. Na hora certa. E isso não quer dizer que eu fique me preocupando com quando será a hora certa. Até porque o acaso adora nos pegar de surpresa.
Na verdade, eu queria ver o filme porque ele encena parte da história que eu já roteirizei. E dá o final perfeito para o que ainda não aconteceu. No fim, enquanto os créditos desciam pela tela, eu ria sozinha. Tinha descoberto porque esse curioso caso não saia da minha cabeça.
E claro que eu tive que apertar o pause várias vezes para anotar o que Benjamin disse em uma das cartas que escreveu para a filha:
Para as coisas importantes, nunca é tarde demais, ou, no meu caso, muito cedo para sermos quem queremos.
Não há limite de tempo, comece quando quiser.
Você pode mudar ou não. Não há regras.
Podemos fazer o melhor ou o pior.
E eu espero que você faça o melhor.
Espero que veja coisas que o assustam.
Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes.
Espero que conheça pessoas com opiniões diferentes.
Espero que viva uma vida da qual se orgulhe.
E se você achar que não viveu.
Espero que tenha força para começar novamente.
Ele fala de liberdade, amor, aceitar-se como somos e de apreciar e aprender com tudo que a vida pode nos proporcionar: desde paixões momentâneas até as perdas das pessoas que amamos. A vida fica linda sob a ótica de Benjamin e qualquer problema pode ser encarado de bom-humor dessa forma. Só esses motivos já seriam mais que suficientes para eu sentar na frente da tv pelas quase três horas de duração do longa. Mas não era só isso. Era minha mente querendo responder às perguntas que eu fazia a mim mesma. Tive certeza disso depois de rever as peripécias de um dos meus personagens favoritos.
As pessoas falam em carpe diem como desculpa para justificar ações inconsequentes, mas esse termo não é sinônimo de irresponsabilidade. Quer dizer aproveitar o momento, e não agir como louco para criar um. Alguns dizem que, às vezes, o meu racional fala alto. Mas é que não sou muito fã do efêmero. Assim como Benjamin, penso que não se deve forçar situações. Quando tem que acontecer, elas simplesmente acontecem. Naturalmente. Na hora certa. E isso não quer dizer que eu fique me preocupando com quando será a hora certa. Até porque o acaso adora nos pegar de surpresa.
Na verdade, eu queria ver o filme porque ele encena parte da história que eu já roteirizei. E dá o final perfeito para o que ainda não aconteceu. No fim, enquanto os créditos desciam pela tela, eu ria sozinha. Tinha descoberto porque esse curioso caso não saia da minha cabeça.
E claro que eu tive que apertar o pause várias vezes para anotar o que Benjamin disse em uma das cartas que escreveu para a filha:
Para as coisas importantes, nunca é tarde demais, ou, no meu caso, muito cedo para sermos quem queremos.
Não há limite de tempo, comece quando quiser.
Você pode mudar ou não. Não há regras.
Podemos fazer o melhor ou o pior.
E eu espero que você faça o melhor.
Espero que veja coisas que o assustam.
Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes.
Espero que conheça pessoas com opiniões diferentes.
Espero que viva uma vida da qual se orgulhe.
E se você achar que não viveu.
Espero que tenha força para começar novamente.
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