quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Dono da noite


A noite de ontem - nem precisaria dizer - foi um caos. Sem semáforos nos cruzamentos, o trânsito se tornou a casa da mãe Joana - o povo acha que só porque buzina tem o direito de passar. Sem metrô, os pontos de ônibus ficaram lotados. As ruas desertas e escuras davam medo.

Mas já passou. O que ficou foram as histórias. Ter participado do apagão é quase como um orgulho. Cada um quer contar onde estava no momento em que as luzes se apagaram. Entre tantas aventuras, nenhuma supera chegar ao trabalho, entrar na internet e encontrar, apenas algumas horas depois do acontecido, camisetas sendo vendidas com os dizeres “Apagão 2009. Eu Fui!”. O brasileiro é mesmo rápido. Haja criatividade.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O que os olhos veem, é o que se espera ver na mesa

Publicidade é tudo. Principalmente quando se está com fome. Na hora de escolher o prato, o fator decisivo não será o nome dos ingredientes, mas sim a imagem. Quando a foto é caprichada, a boca saliva, os olhos arregalam, a barriga ronca, só para mostrar o quanto precisa ser alimentada, e o dedo vai em direção à figura:

- É esse aqui que eu quero!

Outro dia, essa atitude, tão comum a quem está faminto, fez-me questionar por que é que a minha mente gorda não aprende, de uma vez por todas, que a imagem não é o mais importante. Trata-se apenas de um truque de publicitários filhos-da-puta que usam photoshop para deixar a foto da sua futura refeição mais saborosa para os olhos. Se trabalhassem em conjunto com os chefes de cozinha, seria ótimo. Mas ao contrário, preferem iludir os pobres esfomeados.

Observem:


Foi esse maravilhoso e apetitoso hambúrguer, repleto de cheddar, que eu pedi em um dos restaurantes do Habibbs.

Mas o que chegou na minha mesa foi isso:


Apenas isso.

Odeio publicitários.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Paixão de adolescente

Aos 57 anos, morre o ator americano Patrick Swayze


Na primeira vez que o vi, eu era uma criança. Mas lembro de tê-lo achado bonitão. Na segunda vez, pelo menos uns dez anos já haviam se passado. O contexto era outro. Sabia que conhecia aquele rosto. Encantei-me ainda mais. Vendo-o dançar, eu quis levantar e imitar os passos. Seu sorriso me intimidava e seu olhar me deslumbrava.

Entre tanto fascínio, não percebi que o tempo passou para mim e também para ele. Em 1987, quando fazia sucesso em “Dirty Dancing – Ritmo Quente” e já tinha por volta de 30 anos, eu chegava ao mundo. Três anos mais tarde, ele estava no auge do sucesso com “Ghost – Do Outro Lado da Vida” e eu ainda usava fraudas. Quando assistia seus filmes na TV, tratava-se de reprises. Aquele rosto que eu via, na vida real, já apresentava os sinais da idade.

Hoje de manhã, quando li que Patrick Swayze morreu, lamentei. E aqui fica uma singela homenagem de quem, mesmo depois dos 20 anos, ainda delira com o personagem Johnny Castle e chora com Sam Wheat.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Força inexorável?

Destino. Alguns acreditam que é possível lê-lo pela borra de café. Outros afirmam que pelas linhas da palma da mão é possível não apenas ver o futuro, mas também o passado, o presente e até parte da vida passada. Algumas religiões acreditam em sina e, segundo elas, nossa vida inteira já estaria traçada antes mesmo de nascermos.

Sinceramente, acho que cada um constrói o próprio futuro, mas penso que algumas pessoas estão predestinadas a passar pela nossa vida. Elas aparecem despretensiosamente, mas, se analisarmos melhor, poderiam ter surgido de inúmeras formas. A impressão que dá é de que teríamos as conhecido de uma forma ou de outra.

Por esta razão, às vezes me rendo ao verso “deixa a vida me levar”. É mais fácil pensar assim. É como abrir os braços e boiar esperando que a água nos leve para onde ela quer. Entretanto, vez e outra surgem algumas decisões que, pelo menos aparentemente, podem mudar todo o rumo percorrido até então. E dá medo. Dá medo de errar. De afastar pessoas que gostamos e situações que queremos vivenciar.

Na minha visão, magoar quem gostamos é como magoar a si próprio. Mas deixar de fazer o que desejamos para não magoar outras pessoas também é uma forma de se magoar. O interessante é que se me dessem essa questão para resolver algum tempo atrás, teria a resposta na ponta da língua. Mas quando o caso é com a gente, é sempre mais complicado. E, agora, eu não sei a resposta.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Antes de mais nada

Há idéias que são mais fortes que nós. A gente cresce, amadurece, tem novas experiências e, consequentemente, novos pensamentos. Mas não adianta. É como se fosse uma promessa. Não importa quanto tempo passe, o espírito não se acalma até que façamos o que dissemos que faríamos. Quando pensamos que ele esqueceu, algo acontece para nos lembrar do prometido.

Nas últimas semanas, fiquei longe do blog. Novos fatos aconteceram e demora-se um tempo para assimilá-los e compreendê-los. Nada melhor que deixar o tempo passar para, mais tarde, interpretar o acontecido. E aqui estou eu: de volta ao Conversa de Mesa de Bar e pronta para filosofar sobre as inúmeras histórias que nos cercam.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Dicas teatrais

Tem gente que não vai ao teatro porque diz que é caro. Outros economizam para ver, vez e outra, aquela peça cara e super comentada. O que não sabem é que há inúmeras gratuitas. E muito boas. Recebi outro dia o jornal Engenho Mostra Um Pouco Do Que Gosta IV. Eles me ganharam pelo texto: leve e fácil, mas bem escrito; sonhador, mas também questionador e critico. Abaixo está um trecho e a programação. Assim, dá vontade de ver todas as peças.


"Essa gente não é mole: anda em grupo, bota a boca no trombone e taca o dedo nas feridas.

Mas acredite: são amigos, companheiros que pegam no pesado, trabalham muito para divertir a gente, viram tudo do avesso só pra fuçar e ver o que tem dentro. São artistas e técnicos, grupos de teatro que, fincando os pés no chão, sonham com um mundo mais justo e mais bonito.

Sonhar não enche barriga?

Ah, tem sonho que enche, preenche, forra e desforra. E diverte. E é o tipo de diversão que dá o que pensar, que faz pensar e ajuda a entender, a viver. E depois, quem é que não sonha? Quem é que não quer um mundo mais justo e bonito? Quem é que não quer viver melhor?

Então, é isso: pelo menos durante 5 finais de semana, você pode se divertir, ver, sentir e entender a vida de um jeito diferente. Nada do que você vê na TV. E não se assuste se aqui, no papel, alguma coisa parecer pesada: pesada é a vida que a gente leva, o mercado falido e os sonhos de consumo que, esses sim, não preenchem a vida de ninguém. Já o que os grupos de teatro fazem no palco com todo esse desmanche de seres humanos é bonito demais!

Uma última explicação: é tudo de graça porque esses grupos, além de sonhar e fabricar sonhos, vão à luta. Em 2002 conseguiram aprovar uma lei, o Programa Municipal de Fomento ao Teatro Para a Cidade de São Paulo. Desde então, a Prefeitura é obrigada a investir dinheiro em projetos como o Engenho Teatral, que organizou esta Mostra. Logo, isso já foi pago com o seu dinheiro, com o nosso dinheiro, com o dinheiro público.
Divirta-se!"


Programação
Dias 1 e 2
Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está, precisa se mexer
- Três atores falam de si e do mundo que desmorona à sua volta.

Dias 8 e 9
Homem cavalo e sociedade anônima
- A exploração do trabalho e os sonhos que não se realizam.

Dias 15 e 16
Hospital da gente
- Mulheres que vivem e pulsam nas pirambeiras, mas não pensam em ser “incluídas”.

Dias 22 e 23
Ensaio sobre Carolina
- A catadora de papel dos anos 50 ainda dá o que pensar para os negros de hoje no Brasil.

Dias 29 e 30
A Brava
- Joana D’Arc queima na fogueira por trilhar caminhos contrários ao estabelecido.

Todas as peças começam às 19h. É preciso chegar antes para garantir o ingresso.

Clube Escola Tatuapé
Rua Monte Serrat, 230 (Ao lado da estação Carrão do Metrô)
Tel. 2092-8865
http://engenhoteatral.wordpress.com/

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Em busca da felicidade

"A felicidade só é verdadeira quando é compartilhada"

O filme “Na natureza selvagem” poderia ser resumido nessa frase. Poderia. Apenas poderia. Contudo, para se chegar a uma conclusão é preciso experiência e maturidade. Christopher McCandless, personagem principal, interpretado por Emilie Hirsch, passou por várias etapas antes de concluir o que para alguns parece tão óbvio. Entretanto, há muito a ser absorvido para que a frase acima seja assimilada e aceita como verdade absoluta.

Nesses dias de frio, não tem programa melhor que ver DVD, coberto com edredom e comendo pizza, batata frita e chocolate. Assisti a esse filme no final de semana passado. E, acreditem, é muito bom. O longa foi escrito e dirigido pelo ator Sean Penn, aquele que fez “Sobre meninos e lobos”. Baseado no livro do escritor e jornalista Jon Krakauer, que relata a história real do aventureiro Christopher McCandless, o filme demorou anos para ser rodado, pois Penn queria a aprovação da família McCandless. E se era para ser bem feito, a trilha sonora também ganhou atenção: todas as músicas são cantadas por Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, que não deixou a desejar em nenhum aspecto – e olha que nem gosto tanto assim dele.

Com essas informações, vamos voltar ao filme. Imagine que, de presente de formatura, seus pais resolvem te dar um carro zero. Qualquer um, no mínimo, daria pulos de alegria. Esse não foi o caso de Christopher. O garoto ficou nervoso. Ele não precisava de um novo carro. Estava farto da vida de aparências que os pais ostentavam, da hipocrisia, do materialismo e de tudo que o lembrasse a falsidade que vivia - inclusive o dinheiro.

Dessa forma, doou os 24 mil dólares que tinha no banco para a caridade e abandonou todos para aventurar-se em um mundo desconhecido. Afinal, que companhia poderia ser melhor que as belas paisagens que a natureza esconde? Pedindo carona na estrada, andando de canoa e caminhando, viajou para lugares como Dakota do Sul, Arizona e Califórnia, mas seu objetivo era chegar até o Alasca.

Christopher seguiu em busca do autoconhecimento. Com pensadores como Tolstoi na ponta da língua, justificava sua fuga da sociedade. No caminho, encontrou outros andarilhos. Cada um com uma concepção diferente sobre a vida e a liberdade. Teve a oportunidade de estabelecer-se e apaixonar-se, mas tudo o que não queria era apegar-se a alguém. A natureza bastava. Ele só não sabia que ela poderia ser tão selvagem.